FMI critica Portugal por cortar investimento público para baixar défice

O vice-diretor do Departamento do FMI liderado por Vítor Gaspar elogiou Portugal pelo corte no défice, mas criticou a forma de lá chegar através da diminuição do investimento público.

À esquerda, o vice-diretor do Departamento de Assuntos Orçamentais do FMI, Abdelhak Senhadji, e à direita o ex-ministro das Finanças português, Vítor Gaspar, agora líder do mesmo departamento.FMI / Ryan Rayburn

Esta quarta-feira, ao apresentar o Fiscal Monitor, Vítor Gaspar e o seu colega do FMI, Abdelhak Senhadji, deram uma conferência de imprensa. Questionado sobre Portugal, o ex-ministro das Finanças recusou-se a comentar o país em concreto. Mas o vice-diretor do Departamento de Assuntos Orçamentais do Fundo Monetário Internacional foi mais longe: Senhadji disse que em Portugal são necessárias medidas melhores para que a consolidação orçamental seja sustentável. Um exemplo de uma medida com pouca qualidade? O corte no investimento público.

Por exemplo, o ajustamento ou a redução ligeira do défice nos últimos anos foi feita com base em cortes no investimento público.

Abdelhak Senhadji

Vice-diretor do Departamento de Assuntos Orçamentais do FMI

A questão era diretamente sobre Portugal: “Parece que o país atingiu notavelmente um défice orçamental baixo enquanto aumentou a despesa em pensões e em salários”, começa por dizer o jornalista, questionando os dois técnicos sobre se a experiência portuguesa deu lições sobre como a austeridade funcionou na Europa ou se deveria existir uma forma diferente para reduzir o défice. Em resposta, Vítor Gaspar foi direto: “[O FMI] não comenta desenvolvimentos políticos específicos”.

Contudo, o seu colega foi menos cumpridor dessa regra e comentou o caso português, tendo elogiado o Governo português pelo “progresso significativo” que teve no défice. Mas para o vice-diretor do Departamento de Assuntos Orçamentais do FMI, a consolidação tem de contar com medidas de melhor qualidade para que seja sustentável. “Por exemplo, o ajustamento ou a redução ligeira do défice nos últimos anos foi feita com base em cortes no investimento público”, criticou Senhadji. Para o Fundo essa não é uma política “correta”, dado que “prejudica o crescimento potencial” de um país.

E “o crescimento [económico] é crítico para levar o rácio da dívida para níveis sustentáveis”, acrescentou. Abdelhak Senhadji referiu que “as dinâmicas da dívida [pública] ainda não são realmente favoráveis a Portugal”. Ou seja, “existe um progresso significativo que tem de ser feito daqui em diante”, dado que em 2016 o rácio da dívida portuguesa colocou-a como a quarta maior a nível mundial.

Esta quarta-feira, no Fiscal Monitor, o Fundo Monetário Internacional aproximou as suas previsões de défice às do Governo: a previsão de outubro do ano passado de 2,2% passou a 1,9% este mês, ainda que fique longe dos 1,5% estimados pelo Ministério das Finanças. Já no que toca ao crescimento económico, o Fundo mostrou-se mais otimista. O FMI reviu a subida do PIB em alta de 1,1% para 1,7%, perto dos 1,8% que o Governo definiu no Programa de Estabilidade.

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