FMI vê economia mundial a crescer 3,5% este ano

  • Lusa
  • 18 Abril 2017

O desempenho da economia mundial vai continuar a ser impulsionado pelos países emergentes e em vias de desenvolvimento, defende o FMI no 'World Economic Outlook" hoje divulgado.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou ligeiramente a previsão de crescimento económico mundial, para os 3,5% em 2017 (contra os 3,4% anteriormente previstos), e espera que cresça 3,6% em 2018.

No ‘World Economic Outlook’ hoje publicado, o FMI refere que estas previsões para o período de 2017 a 2018 refletem “uma melhoria da atividade nas economias desenvolvidas mais rápida do que o esperado previamente” e, simultaneamente, um crescimento “marginalmente mais fraco” nas economias emergentes e em desenvolvimento em 2017.

No entanto, apesar destas revisões, o desempenho da economia mundial vai continuar a ser impulsionado pelos países emergentes e em vias de desenvolvimento, que terão uma atividade económica “mais forte” do que as economias desenvolvidas, segundo o FMI.

As economias desenvolvidas deverão crescer 2% em 2017 e em 2018, uma projeção duas décimas acima da apresentada pelo Fundo em outubro do ano passado e uma décima acima da atualização das projeções divulgada há três meses.

Estas previsões refletem “a recuperação cíclica que se espera para a indústria global” e também “um aumento da confiança“, escreve a instituição liderada por Christine Lagarde, destacando, no entanto, que se trata de uma projeção “particularmente incerta”, tendo em conta “as potenciais mudanças de política da nova administração dos Estados Unidos e os seus efeitos de contágio globais”.

Os países emergentes e em desenvolvimento, por seu lado, deverão crescer 4,5% este ano e 4,8% no próximo, acelerando o ritmo de crescimento registado em 2016, de 4,1%.

O Fundo justifica estas previsões com “a estabilização ou a recuperação numa série de exportadores de matérias-primas”, e com “o reforço do crescimento na Índia”, que foi “parcialmente anulado pelo abrandamento gradual da economia chinesa”, e sublinha que as perspetivas de crescimento dos países emergentes e em desenvolvimento “continuam desiguais e, em geral, abaixo da média destas economias em 2000-2015”.

De acordo com as projeções do FMI, os Estados Unidos deverão crescer 2,3% este ano e 2,5% no próximo, o Japão deverá progredir 1,2% e 0,6% em 2017 e em 2018, respetivamente, o Reino Unido deverá avançar 2% este ano, mas desacelerar para os 1,5% no próximo e a economia do Canadá deverá subir 1,9% em 2017 e 2% em 2018.

Para a zona euro, é esperado um crescimento de 1,7% em 2017 e de 1,6% em 2018, mas as tendências são diferentes entre países.

Na Alemanha, o ritmo de crescimento deverá desacelerar (dos 1,6% em 2017 para os 1,5% em 2018), tal como em Espanha (dos 2,6% em 2017 para os 2,1% em 2018), Itália deverá manter o mesmo ritmo de crescimento nos dois anos (0,8%), mas França deverá acelerar (dos 1,4% este ano para os 1,6% no próximo).

Olhando para o longo prazo, o FMI espera que até 2022 a atividade económica mundial “aumente marginalmente”, estando a crescer 3,8% nesse ano, um crescimento que se “deverá inteiramente às economias emergentes em desenvolvimento”.

Os países emergentes e em vias de desenvolvimento deverão estar a crescer 5% em 2022, ao passo que as economias desenvolvidas deverão estar a progredir 1,7% no mesmo ano, segundo o FMI.

Quanto aos preços, o Fundo antecipa que “em quase todas as economias desenvolvidas as taxas de inflação serão mais altas em 2017 do que em 2016″, ficando nos 2% este ano e, relativamente às economias emergentes (excluindo Argentina e Venezuela), o FMI espera que aumente dos 4,4% em 2016 para os 4,7% em 2017.

O FMI considera que os riscos estão inclinados para o lado negativo, “em particular no médio prazo”, tendo em conta “a incerteza generalizada em relação às políticas” e alerta para que os riscos para o crescimento de médio prazo “parecem agora mais claramente negativos” também porque as medidas nos Estados Unidos e na China “vão ter de ser revertidas para evitar uma dinâmica orçamental insustentável”.

Em concreto, o Fundo identifica potenciais fatores de risco na vertente financeira: a adoção de políticas protecionistas, uma subida mais rápida do que o esperado nas taxas dos Estados Unidos, uma “reversão agressiva” da regulação financeira que pode estimular a tomada excessiva de riscos e “aumentar a probabilidade de crises financeiras futuras”, dificuldades financeiras nos países emergentes.

Como fatores não financeiros, o FMI destaca as tensões geopolíticas, a fraca governança, a corrupção, os eventos climáticos extremos e o terrorismo.

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