Papa: O que dizem os partidos sobre a tolerância de ponto?

  • Lusa e ECO
  • 27 Abril 2017

Governo vai conceder tolerância de ponto nos serviços públicos a 12 de maio, dia em que o Papa Francisco chega a Portugal para o centenário das aparições de Fátima. O que pensam os partidos?

BE e PCP afirmaram hoje não se opor à tolerância de ponto no primeiro dia da visita do Papa a Fátima, uma competência do Governo, mas os comunistas têm dúvidas devido à “separação entre as Igrejas e o Estado”. PSD e CDS concordam com a decisão.

“A decisão de decretar tolerância de ponto a propósito da visita do Papa é da responsabilidade do Governo. Trata-se de uma decisão que, embora se compreenda, suscita a dúvida sobre se as razões invocadas – a visita do Papa e a expressão da população católica no nosso País – a justificam, considerando a separação entre as Igrejas e o Estado”, afirmou o secretário-geral do PCP numa resposta a uma pergunta da Lusa.

Já os bloquistas, através de uma fonte da direção, afirmaram à Lusa que a tolerância de ponto, “sendo da exclusiva responsabilidade do Governo, o Bloco de Esquerda não se opõe”.

Por seu turno, PSD e o CDS-PP concordam com a tolerância de ponto que o Governo vai decretar. O deputado do PSD Duarte Pacheco declarou-se favorável à decisão, afirmando que o Governo “compreendeu que o país é maioritariamente católico” e que, em Fátima, com a visita do Papa, o centenário das aparições e a canonização de dois pastorinhos, “é um acontecimento excecional”.

“E para acontecimentos excecionais, tomam-se medidas excecionais”, disse, recusando a ideia de que, com esta decisão, se está a colocar em causa o Estado laico.

Pelo CDS, o deputado Filipe Anacoreta Correia também concorda com a decisão, interpretando-a como o “reconhecimento da importância do Papa Francisco, da Igreja Católica em Portugal e que esta visita mexe com milhares de pessoas que vão deslocar-se a Fátima”.

“Com esta decisão, o Governo teve a preocupação de se associar a uma circunstância de grande alegria para os portugueses”, concluiu.

O Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV), que, como o PCP e o BE, também apoia o Governo do PS, não se pronuncia “por se tratar de uma competência exclusiva do Governo” e por não conhecer os fundamentos para a tolerância de ponto.

Também questionado pela Lusa, o líder parlamentar e presidente do PS, Carlos César, afirmou concordar com a decisão do Governo, afirmando não considerar excessivo decretar a tolerância de ponto na função pública.

Em resposta à Lusa, André Silva, do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), não se pronuncia abertamente sobre a tolerância de ponto, mas “defende, acima de tudo, o direito fundamental da liberdade de culto, entendendo que a democracia que regula para a maioria deve garantir também a igualdade entre todas as minorias”. E anuncia que nessa sexta-feira, 12 de maio, e equipa do PAN estará a trabalhar.

O Governo vai conceder tolerância de ponto nos serviços públicos a 12 de maio, dia em que o Papa Francisco chega a Portugal para o centenário das “aparições” de Fátima, disse hoje à Lusa fonte do executivo.

A mesma fonte adiantou à agência Lusa que a tolerância de ponto será dentro em breve anunciada formalmente pelo Governo.

O Papa Francisco visita Fátima a 12 e 13 de maio para canonizar os dois pastorinhos Jacinta e Francisco no centenário das “aparições” na Cova da Iria, em 1917.

O Papa tem também encontros agendados com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e com o primeiro-ministro, António Costa.

 

Comentários ({{ total }})

Papa: O que dizem os partidos sobre a tolerância de ponto?

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião