Governo “nunca respondeu por escrito” a Domingues. Mas “não disse que não aceitava” condições

António Domingues exigiu a alteração do modelo de governo da Caixa para aceitar ser presidente do banco público. O compromisso com o Governo não foi escrito, mas também não foi recusado.

O compromisso que terá sido acordado entre o Ministério das Finanças e António Domingues, para que este aceitasse ser presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), continua a suscitar dúvidas dos deputados. Na comissão parlamentar de inquérito que analisa a atuação do Governo na nomeação e demissão da última administração do banco público e que decorre esta sexta-feira, António Domingues diz agora que o Governo “nunca respondeu por escrito” às condições que impôs para aceitar o cargo de presidente do banco público. Mas também não disse que não as aceitava.

A questão partiu do deputado bloquista Moisés Ferreira, que perguntou a António Domingues se o Governo aceitou as várias condições que foram colocadas. Entenda-se: em abril do ano passado, o antigo banqueiro enviou uma carta ao Ministério das Finanças onde exigia a alteração do modelo de governo da Caixa para aceitar liderar o banco. Domingues queria, sobretudo, que a Caixa deixasse de responder ao Estatuto do Gestor Público, não só para que os administradores deixassem de estar sujeitos a tetos salariais, mas para que pudessem ficar isentos de apresentar ao Tribunal Constitucional as respetivas declarações de rendimentos e de património.

"O Governo nunca me respondeu por escrito, mas também nunca disse que não aceitava.”

António Domingues

Antigo presidente da Caixa Geral de Depósitos

A resposta de Domingues a Moisés Ferreira corroborou a versão que tem sido defendida por Mário Centeno: “O Governo nunca me respondeu por escrito, mas também nunca disse que não aceitava”.

Foi esta a explicação dada por Mário Centeno para justificar que, ao contrário da acusação que lhe foi feita, não mentiu ao Parlamento sobre ter trocado correspondência com Domingues. Segundo o ministro, antigo banqueiro enviou, de facto, uma carta ao Ministério das Finanças, e esta foi rececionada. Mas o Ministério não respondeu, pelo que não houve “troca” de correspondência.

Ainda na comissão de inquérito desta sexta-feira, João Almeida, do CDS, recordou o momento em que Domingues disse que, no seu juízo, a sua pretensão de alterar o modelo de governo da Caixa foi aceite. “Como é que formulou esse juízo?”, questionou o deputado.

Formulei esse juízo em resultado do diálogo com os meus interlocutores e reforcei-o com as alterações legislativas que foram feitas. Julgo que perceberam a minha aceitação. Para mim, o assunto era completamente claro, no meu espírito não havia nenhuma dúvida. Até porque foi um processo que demorou muitos meses, não foi um processo rápido que pudesse gerar alguma confusão”, respondeu Domingues.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Governo “nunca respondeu por escrito” a Domingues. Mas “não disse que não aceitava” condições

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião