Prestação da casa. Novo mínimo em maio

Os encargos mensais com o crédito à habitação reduzem-se entre 0,1% e 1,6% no próximo mês. Empréstimos com indexantes de prazos mais alargados continuam a ser os mais beneficiados.

Quem tem crédito à habitação volta a ter boas notícias no próximo mês. Todos os portugueses que revirem a taxa de juro do seu crédito à habitação, em maio, vão sentir um novo alívio no valor da prestação, mesmo que muito ligeiro. As famílias com créditos associados à Euribor a três meses, sentem a redução mais curta, sendo que quase experimentavam a primeira subida da sua prestação da casa em três anos. É que para estas famílias, a redução no valor da prestação é de apenas 0,1%. Mas o corte chega aos 1,6%, que será sentido por quem tem o crédito associado à Euribor a 12 meses.

Em qualquer dos casos, o valor da prestação fixada a partir do próximo mês é o mais baixo de sempre. Assumindo o cenário de um crédito no valor de 100 mil euros, a 30 anos, e com um spread de 1%, resulta numa poupança mensal de apenas 17 cêntimos, para quem tem como referência do seu empréstimo a Euribor a três meses. Para essas famílias, a prestação baixa para 306,71 euros mensais.

No caso dos agregados com crédito associado à Euribor a seis meses, tendo em conta o mesmo cenário, o corte na prestação é de 0,5%, correspondente a uma poupança mensal de 1,71 euros, ao longo dos próximos seis meses. Nesse período a prestação fica fixada nos 310,51 euros, o que compara com os 312,22 euros em vigor até agora. Já os empréstimos associados à Euribor a 12 meses sentem um alívio de 1,6% no valor da prestação, correspondente a uma poupança mensal de quase cinco euros (4,98 euros) ao longo do próximo ano. O número de famílias que irá tirar partido dessa redução será contudo baixo, já que a Euribor a 12 meses ainda tem pouca expressão no total do crédito à habitação, apesar de a generalidade dos bancos já a estarem a privilegiar na concessão de novos empréstimos.

Juros negativos até março de 2019

O valor da prestação fixada a partir do próximo mês é o mais baixo de sempre. Algo que resulta do nível historicamente baixo da taxa de juro de referência do Banco Central Europeu, que se encontra fixada em 0% desde março do ano passado, o que arrastou os indexantes utilizados nos créditos à habitação de taxa variável para terreno negativo, nível em que ainda se mantêm.

Contudo, a recente evolução dos indexantes mostra um desgaste na capacidade de assumir níveis mais negativos. Prova disso mesmo foi a evolução observada, em abril, pela Euribor a três meses que começou por apresentar uma tendência de descida na primeira metade do mês, rumo que foi invertido na segunda metade.

Euribor a três meses em 2017

Fonte: Bloomberg

Este cenário resulta da crescente expectativa em relação a uma inversão dos juros de referência na Europa. Por um lado, a economia europeia começa a dar sinais positivos. Na reunião do Banco Central Europeu que decorreu esta quinta-feira, a entidade responsável pela política monetária da Zona Euro salientou precisamente, a recuperação económica “cada vez mais sólida” na região. Apesar disso, Mario Draghi, presidente do BCE, não colocou de parte a possibilidade de aumentar os estímulos económicos na Zona Euro, se confrontado com um outlook menos positivo para a economia.

Por outro, o rumo da política monetária do outro lado do Atlântico também reforça a possibilidade de uma inversão dos juros na Europa, isto depois de em março a Reserva Federal dos EUA ter avançado com a segunda subida de juros desde novembro do ano passado. O mercado antecipa que, mais cedo ou mais tarde, o rumo na Europa terá de ser semelhante. A evolução dos futuros para as taxas Euribor atesta precisamente essa expectativa. Se ainda até há poucos meses, estes indicadores apontavam para que só em 2021 a Euribor a três meses entrasse em terreno positivo, a realidade hoje é muito diferente.

O mercado aponta para os juros se mantenham em terreno negativo apenas até março de 2019, para a partir daí registarem incrementos. A boa notícia é de que os futuros também apontam para que a subida seja muito gradual, colocando a Euribor a três meses nos 0,5% apenas em meados de 2021.

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