Voos da Qatar Airways e turismo na agenda de Costa

  • Lusa
  • 7 Maio 2017

O primeiro-ministro parte para o Qatar com o objetivo de garantir voos regulares para Lisboa da Qatar Airways. Procura também investimentos na ordem de vários milhões de euros no setor do turismo.

Investimentos na ordem de vários milhões de euros no setor do turismo e voos regulares para Lisboa da Qatar Airways são dois dos assuntos económicos na agenda da visita de segunda-feira do primeiro-ministro ao Qatar.

Fonte do executivo português referiu à Lusa que o Qatar é um país com uma presença económico-financeira “discreta”, mas em crescimento em Portugal, sendo apontados como exemplos dessa realidade as suas participações de 2,27% no capital da EDP, o investimento na Vinci e, mais recentemente, o projeto de hotel do grupo W no Algarve (de quase 300 milhões de euros).

A visita de António Costa ao Qatar, na perspetiva do executivo de Lisboa, poderá permitir a expansão de negócios, para além do turismo, em áreas como a construção civil, obras públicas, agroalimentar, energia e saúde.

“Portugal apresenta-se como um país com políticas fiscais competitivas para o investimento externo e com vantagens administrativas garantidas para investimentos privados, caso dos vistos Gold”, salientou a mesma fonte.

No processo de expansão das relações comerciais entre os dois países, está previsto que em 2018 passe a haver um voo direto entre Lisboa e Doha da Qatar Airways, bem como a abertura pela empresa BIMTEC (ramo da construção, engenharia e projetos) de uma representação em Portugal, tendo em vista funcionar como plataforma para o resto da Europa e América do Norte.

Apesar destes negócios, a balança comercial entre Portugal e o Qatar é ainda reduzida: as exportações portuguesas atingiram 17,8 milhões de euros em 2015 e aumentaram para 28,6 milhões de euros em 2016.

Já as importações nacionais estavam nos 19,1 milhões de euros em 2015 e baixaram para 13,9 milhões de euros em 2016. O Qatar, em janeiro de 2017, posicionava-se como o 72º cliente de Portugal e o seu 84º fornecedor.

De acordo com dados fornecidos pelo executivo de Lisboa, o número de empresas exportadoras portuguesas “tem vindo gradualmente a aumentar, sendo 247 empresas as que venderam para o mercado do Qatar em 2015 – isto, quando em 2014, eram apenas 203.

O maior volume de exportações portuguesas pertence aos setores dos minerais e minérios, vestuário, máquinas e aparelhos, madeira, cortiça e produtos agrícolas – produtos que, em conjunto, representam 62% do total exportado.

Portugal, por sua vez, importou principalmente plásticos e borrachas, químicos, vestuário, veículos e outros materiais de transporte.

Ainda no que respeita às relações económicas entre os dois países, as empresas portuguesas atualmente presentes no Qatar operam principalmente nos setores da arquitetura, engenharia, construção e tecnologia, esperando-se a curto prazo a entrada de outras dos ramos farmacêutico, têxteis (caso da Sacoor) e agroalimentar.

Em sentido contrário, o Governo português está a acompanhar a entrada da holding Al Faisal em Portugal, que se encontra já a analisar oportunidades de negócio em tecnologias de ponta e saúde, para além dos setores hoteleiro e imobiliário.

No final de 2016, a holding Al Faisal, um dos principais grupos financeiros privados do Qatar (com um património líquido estimado de pelos 2,2 mil milhões de dólares), comprou 78.46% do Banif Malta.

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