Da última vez que Portugal cresceu tanto o ‘herói’ foi o investimento

Portugal está a crescer a um ritmo acelerado. A última vez que o PIB deu um salto tão expressivo foi no final de 2007, com José Sócrates no Governo, logo após a crise do subprime.

Portugal cresceu 2,8% no primeiro trimestre deste ano, em termos homólogos. É preciso recuar uma década para encontrar um registo tão expressivo na economia nacional. Foi no final de 2007, com José Sócrates ao comando de um Executivo a começar a ser abalado pela crise do subprime, a antecâmara da crise das dívidas soberanas. À data, o primeiro-ministro recusou triunfalismos. Falava-se em confiança. E em investimento.

O primeiro valor apurado para o crescimento do PIB do quarto trimestre de 2007 foi de 2%, mas desde então houve várias revisões à taxa de variação — primeiro negativas, para 1,8%, depois positivas, até se chegar aos 2,8%. O número divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística, que colocou a economia nacional a crescer 1,9% no total de 2007, foi bem recebido. É uma “boa notícia”. Vem confirmar “os fundamentais da nossa economia”, disse Sócrates, à data.

Tal como aconteceu agora, também na altura o PIB surpreendeu. “O mais importante é que o crescimento do último trimestre foi superior àquilo que eram as expectativas de todos os analistas”, disse Sócrates à data. E o mesmo aconteceu agora: os economistas antecipavam um crescimento entre 2,4% e 2,7%, mas o INE atirou para cima: 2,8% no arranque de 2017.

“A economia portuguesa reagiu bem às incertezas e dificuldades que a crise do subprime veio colocar às economias do mundo a partir do verão de 2007″, altura em que colapsou o Lehman Brothers, evento que provocou o caos nos mercados de capitais, fazendo cair vários grandes bancos internacionais. Esta crise levou a outra, a das dívidas soberanas.

"O mais importante é que o crescimento do último trimestre foi superior aquilo que eram as expectativas de todos os analistas.”

José Sócrates

Ex-primeiro ministro (em reação aos dados do PIB no quarto trimestre de 2007)

“Devemos encarar estes números sem triunfalismo, mas com confiança. A nossa economia está hoje muito melhor do que estava há três anos para responder aos desafios e para enfrentar as incertezas do ano de 2008”, afirmou o então primeiro-ministro perante um resultado que, dizia, tinha um claro responsável. “Um deles é absolutamente evidente e chama-se investimento”, tanto privado como público: cresceu 8,6% em termos homólogos, sendo a componente que mais se destacou, à data. Entre o investimento público salientava-se o Aeroporto de Beja.

O investimento tem estado nas preocupações de António Costa, atual primeiro-ministro. Assim como a confiança — mas também o otimismo, que levou até Marcelo Rebelo de Sousa a apelidar o primeiro-ministro de “irritantemente otimista” — numa economia que está a recuperar de uma grave crise financeira que obrigou Sócrates a pedir ajuda externa em 2011.

PIB disparou em 2007. Depois veio a recessão (e o resgate)

Depois do ímpeto demonstrado pela economia em 2007, a crise das dívidas pôs o pé no travão ao PIB de Portugal, mas também dos restantes países da Europa e do Mundo. No final de 2008 já o PIB estava a contrair, entrando em recessão pouco depois. Voltou à tona em 2010, mas apenas para afundar em 2011, ano em que Portugal foi alvo de resgate.

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