Ministério da Saúde desativou email para conter ciberataque

Para evitar a propagação do vírus que afetou milhares de computadores esta sexta-feira, o ministério da Saúde decidiu desativar o sistema de e-mail. Para já, impacto do ataque terá sido reduzido.

O Ministério da Saúde ficou sem email na sexta-feira. Terá sido a medida encontrada pelo setor para conter o ataque informático internacional que afetou sobretudo empresas de telecomunicações, utilities e entidades governamentais. A informação foi avançada esta manhã ao ECO por Pedro Veiga, coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS).

“Os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) têm uma equipa permanentemente em alerta. Aperceberam-se de que o problema era por email e, portanto, desativaram o email. Mandaram uma mensagem a todas as pessoas e desativaram o sistema de email”, referiu o especialista. O sistema ainda não foi reativado.

Ana D’Avó, dos SPMS, confirmou estas informações ao ECO. “Neste momento estamos a fazer uma análise de risco-benefício e estamos em articulação com a ENISA [Agência Europeia de Cibersegurança]. Só reativaremos o email depois desta análise”, disse. “O efeito imediato foi, na sexta-feira, suspendermos os endereços de email. As pessoas podem trabalhar com tudo aquilo que está na rede”, concluiu.

Neste momento estamos a fazer uma análise de risco-benefício e estamos em articulação com a ENISA. Só reativaremos o email depois desta análise”

Ana D'Avó

Serviços Partilhados do Ministério da Saúde

Impacto “foi muito reduzido”

Segundo o Pedro Veiga, Portugal não foi dos países mais afetados, apesar de o ataque ter atingido empresas como a PT. Quanto ao setor governamental nacional, Pedro Veiga indicou que “ainda não há um levantamento rigoroso mas, aparentemente, o impacto foi muito reduzido”.

"Os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde têm uma equipa permanentemente em alerta. Aperceberam-se de que o problema era por email e, portanto, desativaram-no.”

Pedro Veiga

Coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança

Questionado esta manhã sobre o ponto de situação no arranque de uma semana após a tolerância de ponto dada à função pública na sexta-feira, o coordenador do CNCS referiu que “ainda é muito cedo” para saber se há ocorrências ou não. Como o ECO avançou também, a administração pública foi alertada para que se tenha máximo cuidado a abrir “emails de fontes desconhecidas” no arranque desta semana, uma vez que, quando o ataque se disseminou, a grande maioria dos computadores não estavam ligados.

Os funcionários públicos foram alertados para que, caso detetem que o computador fica lento depois de abrir um email, ou caso recebam a mensagem dos hackers, que o sistema seja desligado imediatamente da tomada. No caso dos computadores portáteis, a bateria deve também ser retirada, para evitar a propagação do vírus. A Europol já alertou também que, esta segunda-feira, o ataque poderá continuar.

(Notícia atualizada às 10h45 com confirmação oficial)

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