Commerzbank: “Obrigações portuguesas estão na moda”

Brilharete de Portugal no mercado de dívida deve-se à melhoria da economia, diz o banco alemão. Ordem do Commerzbank é para comprar obrigações portuguesas. "Estão na moda".

Não há muitas dúvidas no mercado: as obrigações portuguesas estão na moda. E há surpresas positivas nos indicadores económicos em Portugal que levam os analistas do Commerzbank a sugerir que os investidores devem substituir o conhecido chavão “Sell in May and go away” por “Buy in May and go away”. A ordem é para apostar na dívida portuguesa.

Quem está atento ao mercado de dívida secundário rapidamente se apercebe da forte correção dos juros das obrigações do Tesouro que Portugal tem registado desde meados de março. A 16 desse mês, a taxa da dívida a 10 anos superou os 4,3%. Dois meses volvidos, a taxa segue abaixo dos 3,2%, uma queda de mais de 100 pontos base. O prémio de risco exigido pelos investidores para comprar dívida portuguesa também está em queda livre, com o diferencial entre os juros portugueses e alemães em mínimos de agosto do ano passado.

Juros nacionais continuam em forte queda

Fonte: Bloomberg (valores em %)

“As obrigações portuguesas estão na moda”, salienta Michael Leister, estratego de obrigações do Commerzbank, ao ECO. “Um fator que ajuda é certamente o alívio francês, que tem alimentado o apetite por ativos com maior risco. Mas as dinâmicas surpreendentemente positivas nos fundamentais (isto é, forte crescimento económico e défice mais baixo em 2016) e o percurso mais moderado do Governo do que inicialmente temíamos (não há mais reversões nas reformas) são os fatores dominantes”, frisa o responsável do banco alemão.

Na frente económica, as notícias são efetivamente favoráveis a uma melhoria da perceção de risco de Portugal junto dos mercados. Em 2016, o défice ficou nos 2% do PIB, o que deverá permitir ao país sair do Procedimento por Défices Excessivos nos próximos dias. E ainda esta semana o Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou uma aceleração da economia em 2,8% no primeiro trimestre, fatores que contribuem decisivamente para reforçar a credibilidade portuguesa junto dos credores.

Fonte: INE

“São notícias que encorajam os investidores a aumentar a exposição e a capturar a recuperação das obrigações portuguesas — mesmo com o Banco Central Europeu (BCE) a diminuir o ritmo de compras de dívida nacional“, prossegue Leister.

"Um fator que ajuda é certamente o alívio francês, que tem alimentado o apetite por ativos com maior risco. Mas as dinâmicas surpreendentemente positivas nos fundamentais (isto é, forte crescimento económico e défice mais baixo em 2016) e o percurso mais moderado do governo do que inicialmente temíamos (não há mais reversões nas reformas) são os fatores dominantes.”

Michael Leister

Estratego de dívida do Commerzbank

Para o Presidente da República, por detrás deste movimento podem estar razões mais exóticas. Marcelo Rebelo de Sousa adiantou esta quarta-feira que investidores árabes podem estar a comprar dívida pública portuguesa, uma circunstância que beneficiaria Portugal na medida em que reforça a procura por dívida, contribuindo para a descida dos juros.

“Há capital árabe em empresas chave na economia portuguesa, há capital português que quer avançar investindo em países árabes e por outro lado há, hipoteticamente, a possibilidade de haver capital árabe comprando dívida pública portuguesa e se isso vier a acontecer significa um estreitamento de relações económicas e financeiras entre Portugal e o mundo árabe”, afirmou Marcelo.

Indiferentes a estes palpites, a verdade é que também os fundos de investimento nacionais têm vindo a reforçar as suas carteiras com dívida portuguesa em 2017. Detinham 365 milhões de euros em dívida pública nacional, no final de abril, valor que representa um aumento de 35% desde o início do ano, sinalizando maior confiança dos gestores em relação a Portugal.

Buy in May and go away

Em maio chega o adágio bastante conhecido entre os investidores: “Sell in May and go away, and come on back on St. Leger’s Day.” O conselho é para vender os investimentos em maio e só regressar às bolsas depois do feriado de St. Leger, no final de setembro.

Porém, para os analistas do Commerzbank, o bom momento do mercado obrigacionista da Zona Euro aconselha a uma inversão do comportamento: “Buy in May and go away”, dizem Michael Leister e Marco Stoeckle que assinam uma nota de investimento publicada esta quarta-feira por aquele banco alemão.

“Os investidores estão a colocar muito dinheiro para aproveitar o rally nos spreads juntamente com umas bunds estáveis e colocações de dívida de ultra longo prazo em montantes recorde”, explicam, notando um forte sentimento comprador nos mercados de dívida, sobretudo na periferia da região da moeda única.

De facto, não são apenas os juros nacionais que se encontram em forte queda na sessão desta quarta-feira. Espanha, Itália e Irlanda também viam as suas taxas cair.

"Os investidores estão a colocar muito dinheiro para aproveitar o rally nos spreads juntamente com umas bunds estáveis e colocações de dívida de ultra longo prazo em montantes recorde.”

Commerzbank

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