Juros a 10 anos abaixo de 3,2%, mínimos desde outubro

Melhoria das condições económicas em Portugal reforça queda dos juros da dívida nacional no mercado secundário. Tendência baixista deverá continuar até que IGCP anuncie nova emissão sindicada.

Nova correção em baixa no mercado secundário de dívida nacional, uma tendência de queda que saiu reforçada depois de o Tesouro português ter registado juros ainda mais negativos no leilão de dívida de curto prazo que realizou esta manhã.

A taxa associada às obrigações do Tesouro a 10 anos cedem 10,3 pontos base para os 3,196%, tratando-se da yield mais baixa desde o final de outubro do ano passado, há mais de meio ano. Os juros estão a cair em toda a linha… ou todas as linhas. No prazo a cinco anos, a taxa perde 6,5 pontos base para 1,651%, negociando no nível mais baixo desde agosto.

Ao mesmo tempo, o risco de Portugal — medido pelo diferencial entre os juros portugueses a 10 anos e os juros alemães na mesma maturidade — cede esta quarta-feira para o valor mais elevado desde agosto do ano passado.

Desde meados de março que os juros portugueses estão em forte queda. Nesse mês, procedeu-se a uma mudança das linhas de obrigações do Tesouro que servem de referência para as diferentes maturidades da dívida de Portugal, uma circunstância que atirou os juros para máximos desde os tempos da troika. Entretanto, de lá para cá, os ventos sopraram de forma bastante favorável ao risco do país, mesmo com o Banco Central Europeu (BCE) a diminuir o ritmo de compra de dívida pública nacional.

Juros nacionais continuam a afundar

Fonte: Bloomberg (valores em %)

Isso mesmo deram conta os analistas do Commerzbank na semana passada. “A economia portuguesa registou um forte crescimento, o défice de 2016 ficou abaixo do objetivo e as taxas de juro das obrigações a dez anos caíram bem abaixo dos 4% novamente, apesar do menor ritmo de compras do BCE”, disse o banco alemão. “Mas ainda é cedo para dizer que está tudo bem”, sublinhou ainda, frisando os riscos da elevada dívida pública e desafios estruturais que Portugal enfrenta.

Um operador do mercado adiantou à Bloomberg que o mercado continua a refletir no preço das obrigações a melhoria dos fundamentais portugueses. Um outro trader considerou que este rally deverá continuar até que o IGCP anuncie uma nova emissão sindicada.

"A economia portuguesa registou um forte crescimento, o défice de 2016 ficou abaixo do objetivo e as taxas de juro das obrigações a dez anos caíram bem abaixo dos 4% novamente, apesar do menor ritmo de compras do BCE.”

Commerzbank

Entre outros fatores, há que contar ainda com o ambiente internacional que tem alimentado o interesse do mercado por obrigações da Zona Euro e sobretudo da periferia, sublinha Alberto Gallo, chefe de macro da Algebris. “Em termos globais, há maior confiança da parte dos investidores depois da vitória de Macron. Ele traz uma abordagem diferente ao conceito europeu. É mais aberto na política orçamental e isso beneficia países como a Grécia e Portugal”, indicou Gallo, adiantando ainda que há da parte do mercado menor interesse em comprar dívida norte-americana.

Os ativos em dólares não oferecem muito valor neste momento. Os investidores não querem apenas comprar Treasuries que oferecem pouco e de um país onde o presidente quer aumentar o défice”, frisou o analista da Algebris.

De resto, os juros caem em toda a região da moeda única. A taxa implícita nas obrigações alemãs a 10 anos cai para 0,42%, numa altura em que até as obrigações alemãs a 7 anos registam yields negativas. Em Itália e Espanha, os juros também cedem em todas as maturidades.

"Os ativos em dólares não oferecem muito valor neste momento. Os investidores não querem apenas comprar Treasuries que oferecem pouco e de um país onde o presidente quer aumentar o défice.”

Alberto Gallo

Chefe de estratégia macro da Algebris

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