IGCP vê nova emissão de obrigações para o retalho este ano “com pouca probabilidade”

Cristina Casalinho, presidente do IGCP, adiantou que "dificilmente" haverá nova emissão de obrigações dirigidas para as famílias este ano, como aconteceu nos últimos dois anos.

Ao contrário dos últimos dois anos, o IGCP não deverá ir ao mercado no final do ano em busca de financiamento junto das famílias através de nova emissão de Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV), revelou a gestora da dívida pública Cristina Casalinho. “Não podemos dizer que as portas estão fechadas, mas vemos com pouca probabilidade a realização de uma nova emissão de OTRV“, disse a presidente do IGCP.

“Se reparar, as OTRV estão encerradas, já cumprimos o programa para este ano”, explicou Casalinho, à margem da 2.ª edição do “M&A Outlook: Portugal Breakfast Briefing”, em Lisboa, organizado pela Mergermarket.

Tanto em 2016 como em 2017, o IGCP realizou emissões de OTRV na reta final do ano para aproveitar a maior disponibilidade financeira das famílias com o recebimento do subsídio de Natal.

Este ano, o IGCP já realizou uma emissão de OTRV, durante o mês de julho, numa operação através da qual conseguiu levantar um montante de 1.000 milhões de euros em títulos a sete anos. O Orçamento do Estado prevê novo financiamento de 1.000 milhões de euros em OTRV no próximo ano, que vão ajudar a compensar as saídas nos certificados do Estado.

Portugal a negociar reembolso ao FMI

Após o leilão de dívida desta quarta-feira, que permitiu a Portugal obter um financiamento de 1.250 milhões de euros, o IGCP revelou que se está a negociar com os parceiros europeus a possibilidade de reembolsar antecipadamente a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI).

“Já pagámos 83% do empréstimo ao FMI, pagámos a tranche mais cara. Já tínhamos cumprido o programa de financiamento em termos de emissões de médio e longo prazo para este ano. Estão a decorrer as negociações relativas à possibilidade de reembolsar antecipadamente também parte da tranche mais barata e é nesse sentido que estamos a trabalhar. O leilão de ontem já será orientado para essa necessidade“, adiantou Cristina Casalinho.

Sobre os resultados da operação, a responsável disse que foi “um bom leilão”, com “taxas que saíram abaixo das taxas que o mercado a transacionar em mercado secundário”.

Pressão italiana? Casalinho recusou a ideia de que a crise orçamental em Itália esteja a condicionar o seu trabalho na gestão da dívida pública portuguesa, argumentando que “os países ibéricos têm evidenciado um comportamento distanciado do que se tem vindo a observar em Itália”.

“Temos visto que desde o início do ano Portugal tem estado a transacionar muito próximo de Espanha, com uma correlação muito forte em relação a Espanha. A ligação a Itália tem vindo a ser de alguma forma esmorecida. A ideia que existe no mercado é que a Itália será um fator idiossincrático e que tenderá a não ter ramificações ou efeitos de contágio muito significativos”, disse.

Por outro lado, Casalinho defendeu que as melhorias do rating também está a ajudar Portugal a proteger-se da turbulência nos mercados.

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