Portugal paga juros mais baixos no leilão a dez anos. Dívida vai reembolsar ajuda do FMI

Tesouro pagou menos para emitir dívida a dez anos, mas teve de suportar juros mais elevados no prazo a cinco anos. Obrigações servem para pagar ajuda ao FMI e baixar custo da dívida portuguesa.

O Tesouro português pagou menos para emitir dívida a 10 anos, mas teve de suportar juros mais elevados no prazo a cinco anos. Com este empréstimo de 1.250 milhões de euros, o Governo volta a reembolsar ao Fundo Monetário Internacional (FMI), a quem paga juros superiores, ficando agora a dever menos 3.500 milhões de euros.

Na principal maturidade que foi a leilão esta manhã, Portugal conseguiu levantar 752 milhões de euros em obrigações do Tesouro a dez anos, tendo sido exigido um juro de 1,908% pelos investidores. É uma taxa inferior aos 1,939% que pagou na última operação comparável, realizada há um mês. A procura foi robusta: quase o dobro do montante que o IGCP obteve.

Já no leilão de dívida a cinco anos, os juros aumentaram. Em vez de uma taxa de 0,647% que havia pago no último leilão semelhante (realizado em setembro), o IGCP teve de pagar um juro de 0,702% para colocar 498 milhões de euros junto dos investidores. Também aqui os investidores queriam o dobro daquilo que Portugal colocou efetivamente.

No total, a agência que faz a gestão da dívida pública levantou 1.250 milhões de euros com a operação. Este dinheiro vai servir para reembolsar de forma antecipada o FMI, a quem Portugal paga atualmente um juro a rondar os 2,7% (juro de referência de 1,7%, acrescido de um prémio de risco de 100 pontos base). Ou seja, o Governo consegue baixar o custo da sua dívida ao substituir parte do empréstimo do Fundo (que é mais caro) por obrigações no mercado (que são mais baratas).

“A taxa a cinco anos subiu ligeiramente e a dos dez desceu um pouco, variações sem grande significado. O prémio de risco da dívida portuguesa não está a subir, apesar da situação italiana, aliás, mesmo o spread da dívida italiana não está a alargar”, refere Filipe Silva, do Banco Carregosa.

“A procura foi muito boa e o Tesouro português conseguiu os 1.250 milhões de euros pretendidos. Continua a ser muito positivo a emissão de dívida de médio (5 anos) e de longo prazo (10 anos) a taxas baixas. É assim que se consegue reduzir o custo médio da dívida portuguesa”, frisou o responsável.

Com este reembolso antecipado, Portugal vai passar a dever cerca de 3.250 milhões de euros ao FMI. No final de 2017, a dívida pública tinha um custo médio de 3% para os cofres do Estado, abaixo dos 3,2% do final do ano anterior. Os encargos com financiamento vão voltar a descer este ano, perante as condições favoráveis do mercado.

Juros no leilão a dez anos desceram

Fonte: IGCP

No mês passado, o secretário de Estado Adjunto e das Finanças já tinha admitido um regresso “em breve” aos pagamentos antecipados da dívida contraída junto do instituição de Christine Lagarde. Na ocasião, Ricardo Mourinho Félix avançou que poderia pagar “mais de dois mil milhões de euros ao FMI” ainda este ano.

Esta terça-feira, Cristina Casalinho, presidente do IGCP, disse que a saída do Reino Unido da União Europeia vai aumentar os custos de financiamento para os Governos europeus. “Numa última análise, o custo será para os emissores e, portante, para os contribuintes”, comentou, no dia em que as duas partes chegaram a um acordo relativamente ao Brexit.

(Notícia atualizada às 11h09)

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