Crédito para compra de casa começa a arrefecer com travão do Banco de Portugal

Em setembro, os bancos disponibilizaram 790 milhões de euros em empréstimos para a compra de casa. Trata-se do terceiro mês consecutivo em que a nova concessão abranda. Para consumo também caiu.

No crédito à habitação parecem começar a sentir-se os efeitos das novas regras do banco de Portugal que visam limitar a concessão de empréstimos. Em setembro, os novos empréstimos para a compra de casa recuaram pelo terceiro mês consecutivo. Apesar de em termos homólogos manter-se a tendência de subida, esta é mais curta.

Dados divulgados pelo Banco de Portugal nesta terça-feira, mostram que os bancos disponibilizaram 790 milhões de euros em empréstimos para a compra de casa em setembro. Quando comparado com o mesmo mês do ano passado, o valor da nova concessão apresenta uma tendência de subida. Mais especificamente de 6,9%, face aos 739 milhões de euros verificados em setembro do ano passado.

Crédito para a compra de casa arrefece

Fonte: Banco de Portugal

Contudo, em termos mensais, a nova concessão diminuiu. Entre agosto e setembro, a nova concessão de empréstimos para a compra de casa decresceu 20 milhões de euros quando comparado com os 810 milhões registados em agosto, sinalizando o terceiro mês consecutivo de quebras.

A essa realidade junta-se ainda o facto de, tradicionalmente, o mês de setembro ser um período de subida dos níveis de nova concessão no seguimento da “pausa” das férias do verão. À exceção dos anos da crise (entre 2010 e 2013), a tendência histórica tem sido sempre essa.

Essa quebra poderá ser um sinal de que o conjunto de recomendações do Banco de Portugal aos bancos no sentido de estes terem em conta alguns limites na hora de dar crédito para a compra de casa — mas também para consumo — começam a surtir alguns efeitos. As novas regras entraram em vigor no início de julho.

No último inquérito trimestral do Banco de Portugal sobre o mercado de crédito, os bancos sinalizaram, aliás, que por causa dessas medidas assumiram “maior restritividade no crédito a particulares” durante o trimestre passado. As instituições financeiras sondadas anteviam ainda para o último trimestre do ano uma diminuição da procura de crédito para a compra de casa, mas uma tendência oposta no crédito ao consumo.

No que respeita ao crédito ao consumo, o mês de setembro foi marcado por tendências semelhantes. Em termos homólogos voltou-se a assistir a um aumento da concessão na ordem dos cinco milhões de euros (1,4%), dos 348 milhões para 353 milhões de euros. Mas em termos mensais ocorreu uma quebra de 51 milhões de euros.

Nos empréstimos às famílias com outros fins registou-se uma quebra homóloga de 21 milhões de euros, para os 154 milhões. Em termos mensais verificou-se um aumento de 18 milhões de euros.

Em termos globais, os bancos disponibilizaram um total de 1.297 milhões de euros em empréstimos às famílias em setembro. Com esse montante, a concessão acumulada no ano ascende a 12.118 milhões de euros, um novo máximo desde 2010.

(Notícia atualizada às 11h45 com mais informação)

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