Mais de 650 intermediários pedem ao Banco de Portugal para dar crédito. Quase 80% apostam no consumo

Banco de Portugal já recebeu mais de 650 pedidos de autorização para exercício de intermediário de crédito. Maioria das instituições estão interessadas em dar empréstimos ao consumo.

Foram submetidos junto do Banco de Portugal mais de 650 pedidos de autorização para o exercício de intermediário de crédito só no primeiro semestre do ano, com a grande maioria interessada (oito em cada dez) em facilitar empréstimos às famílias para fins de consumo.

Desde o início do ano que entrou em vigor o novo regime de acesso à intermediação de crédito, isto para que entidades como imobiliárias ou stands de automóveis possam estar habilitadas pelo supervisor financeiro a prestar este tipo de serviço aos consumidores. No final do processo de certificação, que se encontra aberto até final do ano, estas entidades vão poder intermediar o processo de contratação de crédito para compra habitação ou bens e serviços de consumo como carros ou férias entre os seus clientes e o banco que disponibiliza o financiamento.

Dados do Banco de Portugal mostram que foram apresentados no regulador 658 pedidos de autorização para o exercício de intermediação de crédito entre janeiro (quando as novas regras entraram em vigor) e junho. Quase 80% dos interessados indicaram que pretendem exercer a atividade de intermediário de crédito relativamente a contratos de crédito aos consumidores, enquanto apenas 16% relativamente a contratos de crédito hipotecário. Outros 5,5% dos pedidos foram relativos a ambos os tipos de crédito.

Este elevado interesse destas entidades não financeiras no mercado do crédito ao consumo não surpreende. Os últimos dados disponíveis indicam que bancos e financeiras disponibilizaram perto de cinco mil milhões de euros em empréstimos com esse fim nos primeiros oito meses do ano, mostrando uma maior predisposição das famílias para consumir após um período maiores restrições com crise no país. Ainda há dias o vice-governador do Banco de Portugal associou a expansão do crédito ao consumo à queda dos salários e ao “hiperdesenvolvimento” da banca.

Segundo a Sinopse de Atividades de Supervisão Comportamental divulgada esta quarta-feira, o Banco de Portugal ainda se encontrava a analisar a maioria dos pedidos de autorização que tinha recebido até final de junho, “dado o elevado número de pedidos submetidos”. Quatro já foram entretanto recusados, diz o regulador. O período de análise do pedido pode ir até 180 dias, ou seja, seis meses.

Três quartos dos pedidos (75,5%) pretendem exercer a atividade de intermediário de crédito a título acessório — atribuída a instituições que têm em vista a venda de bens ou serviços por si oferecidos mas que, acessoriamente, podem intermediar operações de concessão de crédito.

Seguem-se os pedidos de autorização na categoria de intermediário de crédito vinculado (19,6%) e quase 5% na categoria de intermediário de crédito não vinculado.

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