Repsol é a primeira grande petrolífera a vender obrigações verdes

  • ECO
  • 22 Maio 2017

Petrolífera espanhola será a primeira grande companhia do setor a vender obrigações verdes mas a operação está longe de convencer o mercado de que se trata de um financiamento amigo do ambiente.

A Repsol está prestes a concluir um financiamento de 500 milhões de euros em obrigações verdes a cinco anos. Será a primeira grande petrolífera mundial a emitir dívida amiga do ambiente, mas o mercado não está totalmente convencido.

A petrolífera espanhola vai usar este financiamento para cortar nas emissões de gases do efeito de estufa e tornar os seus edifícios energeticamente mais eficientes e sustentáveis. Mas “isto é fundamentalmente dúbio”, referiu Sean Kidney, fundador da Climate Bonds Initiative, uma organização que ajuda a desenhar os standards do que é uma obrigação verde. “Neste momento, é pouco provável a inclusão na nossa lista de obrigações verdes e nos nossos índices de obrigações verdes”, acrescentou o responsável à Bloomberg.

O mercado de obrigações verdes tem pouco mais do que uma década. No último ano, foram levantados 95 mil milhões de dólares neste tipo de financiamento para projetos que protejam o meio ambiente. Este montante deverá subir para os 123 mil milhões este ano.

Não havendo propriamente um regulador que determine o que é uma obrigação verde, cabe aos investidores e consultores como a Climate Bonds Initiative essa avaliação.

De acordo com a Repsol, este financiamento irá sobretudo ajudar a melhorar o desempenho de caldeiras, fornos, equipamentos térmicos e sistemas de controlo de oxigénio nas suas refinarias localizadas em Espanha e Portugal.

“Vai ajudar a evitar a emissão de 1,9 milhões de toneladas de gás de efeito de estufa a um ritmo anual até 2020”, segundo a avaliação da Vigeo Eiris, uma agência de rating ambiental, contratada pela Repsol. É o equivalente àquilo que 400 mil carros produzem.

A Repsol garante que projetos relacionados com a exploração de novas reservas de petróleo e gás estão excluídos deste financiamento, tendo auditores externos que asseguram que as obrigações verdes vão financiar apenas projetos mais qualificados.

Apesar das dúvidas dos analistas, a empresa espanhol registou forte interesse por esta emissão, tendo observado dois mil milhões de euros em ordens de compra só na primeira hora, segundo o BBVA.

Antes da Repsol, uma pequena petrolífera tailandesa, a Bangchak Petroleum, já havia levantado 95 milhões de dólares em dívida verde há dois anos.

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