Moody’s baixa rating da China pela primeira vez desde 1989

  • ECO e Lusa
  • 24 Maio 2017

Um decisão inédita nas últimas quase três décadas. A Moody's baixou o rating da dívida chinesa pela primeira vez desde 1989, perante as perspetivas de abrandamento económico e subida da dívida.

A Moody’s baixou a classificação da dívida chinesa a longo prazo pela primeira vez desde 1989, face às expectativas de que a saúde financeira da segunda economia mundial se ressinta nos próximos anos, enquanto a dívida aumenta.

Em comunicado, a agência de notação financeira anunciou a redução da nota atribuída à dívida pública da China de “Aa3” para “A1”, prevendo que as autoridades aprovem mais estímulos económicos.

Depois de conhecida a decisão da Moody’s, a bolsa de Shanghai caiu para o nível mais baixo dos últimos sete meses, ao mesmo tempo que o iuan e o dólar australiano também perderam terreno face ao dólar, com o aumento do risco associado à China.

A importância que Pequim atribui à manutenção de um forte crescimento económico vai traduzir-se em maiores estímulos, o que contribuirá para o aumento da dívida, indica a agência. São reformas que “poderão transformar o sistema económico e financeiro”, mas há uma boa probabilidade de um “aumento material” do endividamento de toda a economia, com impacto nas contas públicas.

A decisão da Moody’s ocorre num período de abrandamento da economia chinesa, que passou de ritmos de crescimento de dois dígitos, nas últimas décadas, para 6,7%, em 2016.

O facto de grande parte da dívida chinesa estar nas mãos de investidores nacionais protege de alguma forma a China do impacto desta decisão nos mercados. Ainda assim, o downgrade não deixa de sublinhar os desafios que o governo de Xi Jiping tem pela frente para manter um crescimento económico robusto.

Apesar de a agência esperar que o PIB chinês continue a crescer, assegura que o crescimento abrandará nos próximos anos.

“Pelo menos a curto prazo, com uma política monetária limitada pelo risco de provocar uma nova saída de capitais, o peso de apoiar o crescimento recairá sobretudo na política fiscal, com o aumento de gastos por parte das entidades governamentais ou relacionadas com o Governo”, nota.

A agência mudou, no entanto, a perspetiva da dívida chinesa de “negativa” para “estável”, já que no nível “A1” os “riscos são equilibrados”, destacando os mecanismos do país para atacar a instabilidade financeira. Ou seja, não prevê alterações da classificação da dívida chinesa no futuro próximo.

Em março passado, a Moody’s baixou a perspetiva da dívida chinesa para “negativa”, devido à incerteza sobre a capacidade das autoridades para executar reformas económicas.

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