Popular procura comprador. Ações em mínimo histórico

O Banco Popular arrisca ser alvo de resolução se não encontrar um comprador rapidamente. Banco poderá aceitar uma oferta a 55 cêntimos por ação, um valor muito aquém do que queriam os acionistas.

As ações do Banco Popular estão a afundar para mínimos históricos. Depois de a administração liderada por Emilio Saracho se ter visto obrigada a alargar o prazo para encontrar uma proposta de compra vinculativa pelo banco, e numa altura em que já se espera uma oferta quase simbólica, o nervosismo dos investidores aumenta e as ações do Popular derrapam.

Esta manhã, o Popular cai mais de 8% na bolsa espanhola, para os 55 cêntimos por ação, o valor mais baixo desde, pelo menos, 1989. Desde o início deste ano, o Popular já acumula uma perda de 38%.

Popular cai mais de 8% em bolsa

Estes 55 cêntimos por ação são exatamente o mesmo valor que se antecipa que Emilio Saracho conseguirá pelo banco. O jornal espanhol ABC escreve que as necessidades de saneamento e os possíveis litígios que se avizinham estão a desvalorizar o banco e será praticamente impossível encontrar quem pague os 1,20 euros por ação que os acionistas queriam obter.

Fontes ligadas ao processo apontam agora para uma oferta de 55 cêntimos por ação, o que avalia o banco em 2,3 mil milhões de euros, um montante muito aquém dos fundos próprios do banco, que ascendem a 11 mil milhões de euros. O comprador conseguiria, assim, uma folga financeira para eventuais provisões que tenha de realizar.

A este deslize das ações também não é alheio o facto de, na quarta-feira, o Popular ter recebido um aviso do Conselho Único de Resolução (CUR), a autoridade responsável pela resolução dos bancos da Zona Euro. Segundo a Reuters, Elke Koenig, a presidente deste mecanismo, admitiu que o banco espanhol poderá ter de ser resolvido se não encontrar comprador.

“Koenig disse que o Conselho Único de Resolução está a seguir o processo do Banco Popular com particular atenção, tendo em vista uma possível intervenção”, disse à Reuters uma fonte ligada ao processo. “Já estão em curso preparações gerais, ainda que não tenham sido dados passos concretos“, diz outra fonte.

Na próxima terça-feira, de acordo com o Cinco Dias, Emilio Saracho e Ignacio Sánchez-Asiaín, respetivamente o presidente e o diretor executivo do Popular, vão reunir-se com responsáveis do Banco Central Europeu (BCE) e do Mecanismo Único de Supervisão, para definir o futuro do banco. O BCE pretende que o Popular seja vendido dentro das próximas semanas.

Em meados de maio, o Popular informou o regulador do mercado espanhol que registou várias manifestações de interesse numa eventual operação de fusão de negócios, sem revelar de onde vieram essas propostas. “Procedeu-se a uma primeira troca de informação com diversas entidades e solicitou-se uma manifestação de interesse preliminar para o dia de hoje para continuar a análise de uma possível operação”, indicou o banco liderado por Saracho.

O banco espanhol está a passar por dificuldades com o elevado volume de ativos tóxicos, sobretudo relacionado com o imobiliário. Na última intervenção junto dos acionistas, Saracho sublinhou que o Popular “está condenado a aumentar o capital” ou a fundir-se com outro banco. Isto acontece depois de ter apresentado prejuízos históricos de 3,5 mil milhões de euros em 2016.

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