Metro do Porto quer vender ‘naming’ das estações e das linhas

Para além do 'naming' nas estações, a Metro do Porto está disposta a "vender" também nome das linhas. Em julho é inaugurada a primeira estação "batizada": "VC Fashion Outlet-Modivas Norte".

A Metro do Porto está em conversas com algumas empresas para vender o “naming” das estações, e o das próprias linhas, a ideia é aumentar os proveitos da transportadora. Entre as empresas com que a Metro do Porto está a conversar está o El Corte Inglés, cuja estação em Gaia, fica mesmo ao lado do estabelecimento comercial e o NorteShopping, junto à estação Sete Bicas.

“Isto não é novo já é feito lá fora de forma extensiva e não me parece que possa ferir o conceito de serviço público”, afirma, em declarações ao ECO, Pedro Azeredo Lopes, administrador da Metro do Porto.

A primeira estação a operar nestes moldes deverá ser inaugurada já em julho, a Modivas Norte cujo nome passará a ser “VC Fashion Outlet-Modivas Norte“. O contrato para a utilização do nome irá vigorar durante três anos, com opção de mais dois. A nova estação que está ainda em construção, teve um investimento de 1,2 milhões de euros repartidos entre a Metro do Porto e a empresa proprietária do outlet.

O preço por que terá sido vendido o nome da estação está no segredo dos deuses.

A ideia não é nova em Portugal, uma vez que o Metropolitano de Lisboa concessionou durante quatro anos a estação Baixa-Chiado à Portugal Telecom, batizando a estação com o nome “PT Bluestation Baixa Chiado “. O projeto lançado em 2011 foi pioneiro na Europa, mas nos Estados Unidos já era na altura uma prática já recorrente, assim como no Dubai, onde quase todas as estações de metro têm uma marca ou entidade associada, segundo a publicação Transportes em Revista. É o caso da Apple que ficou com os direitos mas também a responsabilidade de remodelar toda uma estação de metropolitano North/Clybourn, em Chicago. Ou ainda da AT&T, que pagou três milhões de euros pelos naming de um dos mais importantes interfaces de transportes de Filadélfia.

O administrador da Metro do Porto destaca que para além da estação de Modivas, “há claramente estações que são óbvias como é o caso da estação do El Corte Inglés, em que existe quase uma apropriação do nome”. “E depois temos outros casos, como aqui o do shopping Alameda Shop & Spot junto ao Dragão”, acrescenta.

“Estamos a ter conversas, se algumas evoluíssem rapidamente ainda podíamos encaixar nesta primeira tranche mais alguma estação, o que era ótimo porque diminuía os custos com a alteração da sinalética”, sublinha Azeredo Lopes.

"Uma das conversas é com o El Corte Inglés, mas se pensar nas Sete Bicas, que as pessoas já dizem que é do NorteShopping, podia ser uma extensão que podia fazer sentido, mas estes processos de decisão levam o seu tempo.”

Pedro Azeredo Lopes

Administrador da Metro do Porto

Uma das conversas reconhece o administrador é precisamente com o El Corte Inglés. “Uma das conversas é com o El Corte Inglés, mas se pensar nas Sete Bicas, que as pessoas já dizem que é do NorteShopping, podia ser uma extensão que podia fazer sentido, mas estes processos de decisão levam o seu tempo”.

Azeredo Lopes diz mesmo que “para o NorteShopping não deixaria de ser interessante até do ponto de vista da publicidade”. E explica porquê: “Nós não vendemos apenas o nome da estação. As empresas ficam com o direito, de durante um ano, decorar integralmente um veículo”.

Apesar de considerar que o ideal seria conseguir “batizar” todas as estações, Azeredo Lopes reconhece que “realisticamente há zonas que não são tão interessantes para as empresas e outras há que apesar de serem muito interessantes não podem ser incluídas, como é o caso, por exemplo da estação de São Bento”.

A Metro do Porto diz que é difícil quantificar um montante a realizar com estas operações, até porque o valor varia consoante o movimento da estação.

“É difícil dissociar o valor da operação do número de utentes da estação”, refere o administrador. Mas um dado é certo, “quantas mais estações aderirem de cada vez, mais fácil será porque nesse caso os custos de produção com a sinalética serão diluídos”. “Seria melhor para nós que os contratos fossem por prazos mais alargados”, acrescenta.

‘Naming’ nas linhas

Para além das estações de metro, a empresa Metro do Porto está disponível para “vender” também o ‘naming’ das linhas. Um processo que, contudo, está mais atrasado, mas que Azeredo Lopes espera que possa ser impulsionado com o “rebatismo” das estações.

“Já tivemos uma primeira conversa para o ‘naming’ de uma linha que contudo não deu qualquer fruto ainda, mas penso que se começarmos a ter ‘naming’ nas estações pode trazer mais apetite e mais apreço pela ideia. Está numa fase mais preliminar até porque estamos a falar de valores muito mais significativos”, sublinha.

Azeredo Lopes acrescenta: “que estas operações não vão ter um impacto significativo nas contas da Metro do Porto”, para isso teriam de “vender o nome das linhas, portanto a lógica não é fazer rios de dinheiro”. “Mas tendo em conta todas as restrições que temos como a de não podermos gerir o tarifário, termos obrigações de serviço público, termos uma quantidade de cativações, estas operações dão-nos apenas alguns ganhos de liberdade para podermos fazer outras coisas sem estarmos dependentes do Orçamento de Estado”, justifica.

Ainda em termos de política comercial, a empresa está também a dinamizar os espaços comerciais nas estações de Metro e que passa sobretudo pelo aluguer de espaços comerciais.

É a lógica de melhorar a experiência do passageiro, queremos juntar o útil ao agradável, melhorarmos as receitas e aumentamos a experiência do passageiro enquanto está em circulação no Metro”, acrescenta.

O administrador diz que “havia espaços que não passavam de uma parede” e que estão “agora a rentabilizar, ainda que o espaço de eleição para todos seja a estação da Trindade”.

Com esta parte das lojas a Metro do Porto fazia um encaixe de apenas 200 mil euros, e tem agora o objetivo de atingir os 350 mil euros. Já em termos publicitários, a Metro do Porto tem uma empresa veículo com a MOP para a exploração de mupis e onde arrecada mais 300 mil euros.

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