Álvaro Santos Pereira: Dívida é mais importante que o défice

  • ECO
  • 8 Junho 2017

O economista da OCDE avisa a Europa e Portugal que o foco deveria ser a redução da dívida pública e privada. Santos Pereira diz que o país estaria a crescer mais com o problema da banca resolvido.

O ex-ministro da Economia defende que a principal preocupação da União Europeia e em particular de Portugal deveria ser a dívida pública e privada. Álvaro Santos Pereira considera que não existe margem orçamental para investir mais em Portugal por causa do nível da dívida, que ultrapassou os 130% em 2016. Contudo, o atual diretor do departamento de Economia da OCDE refere que é mais importante diminuir a dívida do que cumprir as regras orçamentais.

“O desendividamento tem de acontecer, quer das empresas, quer do Estado. Isso é muito mais importante do que estarmos obcecados com a questão do défice“, afirma o ex-ministro da Economia, em entrevista ao Público, esta quinta-feira. Na opinião do ex-ministro da Economia “agora, mais do que cumprir as regras do défice excessivo, nós e a Europa devíamos estar mais preocupados com a questão da dívida”. Isto porque “apesar de prevermos que vá baixar, continuamos a ter uma dívida pública e uma dívida privada muito significativas, com valores demasiado elevados para estarmos muito confortáveis“, considera.

Para Santos Pereira é este o principal constrangimento das economias europeias, que ficam assim sem espaço para maior investimento público: “Países como Portugal e Itália não têm um grande espaço de manobra para terem uma política orçamental expansionista por causa do nível de dívida que têm”. No ponto de vista da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a política orçamental de Portugal deve continuar neutra, deixando os investimentos para países como a Alemanha ou a Holanda.

No entanto, há um tema no qual Santos Pereira concede um agravamento temporário da dívida pública. É o caso de uma solução para o problema do crédito malparado em Portugal, que o Governo diz que vai resolver pelo lado das empresas endividadas. “Defendemos que parte das imparidades deve ser posta num veículo, mesmo que seja temporariamente absorvida por dívida pública“, refere o economista da OCDE, lembrando que “o tempo está a passar e o problema está-se a agravar”. Ou seja, “é importante atuar o mais rapidamente possível”, avisa.

“Enquanto mantivermos esta carga das imparidades sobre o sistema bancário, países como a Itália não vão voltar a crescer rapidamente”, argumenta, referindo que isso também se aplicar a Portugal. Apesar de considerar que a situação italiana é mais “complicada” do que a portuguesa, o ex-ministro da Economia não tem dúvidas de que “poderíamos estar a crescer muito mais se o problema da banca estivesse resolvido”.

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