Clientes do Popular vão pagar até 25% mais no Santander Totta

A incorporação do Popular no Santander Totta poderá resultar numa subida dos encargos dos clientes com comissões. Mas se o objetivo for fazer ou mudar o crédito da casa, podem haver poupanças.

A medida resolução imposta ao Banco Popular, que será integrado no Santander, “não implica qualquer alteração na atividade do banco em Portugal, onde será assegurada a “continuidade dos serviços”. A garantia foi dada pelo Banco Popular Portugal, em comunicado enviado à CMVM. Contudo, do ponto de vista dos clientes, a garantia de que não existirão alterações não é assim tão líquida. Apesar de os clientes do Popular não necessitarem de fazer nada, a incorporação no Santander Totta pode vir a implicar um aumento dos seus encargos com comissões. Essa subida pode chegar aos 25%.

Os cálculos têm em conta os preçários em vigor nas duas instituições financeiras e um conjunto de comissões básicas. Caso a incorporação do Popular seja realizada nos mesmos moldes do que aconteceu quando o Santander Totta comprou o Banif, no final de 2015, é de esperar que as duas instituições financeiras mantenham preçários independentes numa fase inicial. Contudo, mais tarde isso deverá mudar, com os clientes do Popular a passarem a ser “taxados” com base no preçário do Santander Totta.

Santander Totta cobra mais 19% na gestão anual da conta

Valores em euros.
Fonte: Preçários dos bancos | Cálculos dos encargos anuais, tendo em conta o cenário de um cliente que dispõe de um saldo médio mensal de dois mil euros, cartão de débito, cartão de crédito, três transferências online mensais, 12 levantamentos ao balcão e a requisição de 12 cheques por ano pela internet.

Não existem garantias de que quando isso acontecer os valores contidos no preçário do banco liderado por Nuno Amado sejam os mesmos. Mas assumindo os preçários atuais, os encargos anuais dos clientes do Popular podem crescer em torno de 20%, só tendo em conta os custos associadas à detenção de uma conta bancária. Ou seja, a manutenção de conta, as anuidades dos cartões de débito e crédito, levantamentos ao balcão, requisição de cheques e transferências online. Mas podem chegar aos 25% se forem tidos em conta os encargos do processamento mensal da prestação do crédito à habitação.

A manutenção de conta, é o única comissão em que o Santander Totta apresenta um custo inferior ao que é cobrado pelo Banco Popular: menos 9,60 euros por ano, face aos 74,88 euros atualmente em vigor no popular. Em ambos, os clientes só ficam isentos do pagamento desta comissão se tiverem recursos médios trimestrais de valor superior a 5.000 euros.

Já no caso da anuidade do cartão de débito, essencial para utilizar a conta, o Santander Totta cobra mais: anuidade é de 17,00 euros, o que compara com 15,60 euros no Banco Popular. O mesmo acontece com o cartão de crédito, onde as anuidades são de 20,80 e 15,60 euros, respetivamente. Ou seja, o Totta cobra mais 33%.

Para além dessas, noutras comissões também mais usadas pelos clientes dos bancos, também se observam valores de preçários mais elevados no caso do Totta. Considerando a realização de três transferências mensais através da internet para outra instituição, no Santander Totta custa 50% mais do que no Popular: 56,16 contra 37,44 euros, ao fim de um ano. Já na requisição de cheques, o Santander Totta cobra o dobro do Popular. A emissão de 12 cheques implica um encargo de 19,97 e 9,98 euros, respetivamente. Nos levantamentos, a diferença é mais curta: o Totta cobra mais 25%. Em concreto 62,4 euros por 12 levantamentos ao balcão. No Popular, o mesmo custa 49,92 euros.

Processamento da prestação da casa eleva ainda mais os custos no Totta

 

Valores em euros.
Fonte: Preçários dos bancos| Cálculos dos encargos anuais, tendo em conta o cenário de um cliente que dispõe de um saldo médio mensal de dois mil euros, cartão de débito, cartão de crédito, três transferências online mensais, 12 levantamentos ao balcão e a requisição de 12 cheques por ano pela internet. Inclui também os encargos do processamento mensal da prestação do crédito à habitação.

Mudar crédito da casa para o Totta pode compensar

Apesar dos sinais que apontam para um aumento dos custos com comissões dos clientes do Popular, em resultado da sua incorporação no Santander Totta, essa mudança pode trazer algumas poupanças também. O crédito da casa é uma das áreas em que isso pode acontecer. O Totta também vai ficar com a carteira de crédito do Popular, e em especifico o crédito à habitação.

A par do Bankinter, o Santander Totta, disponibiliza o spread mínimo mais baixo do mercado nacional: 1,25%. O Popular, pelo contrário, possui uma das margens mínimas de spreads mais alta do mercado. É de 1,7%, o que o coloca apenas numa posição de vantagem perante a CGD e o BPI, ambos com spreads a partir de 1,75%.

A incorporação no Totta não significa que os clientes do Popular com crédito à habitação passem a beneficiar de condições mais vantajosas em termos de spreads. O cenário base é manterem as atuais condições. Contudo, podem procurar renegociar as condições dos seus empréstimos, sobretudo se estas forem muito exigentes. Quem for cliente do Popular e pretende fazer um crédito à habitação também tenderá a ser mais beneficiado.

Ainda assim, há um custo que não podem ignorar, e que com a passagem para o Santander Totta aumenta consideravelmente: a comissão de processamento mensal de prestação. Esta é 76% mais cara do que no Popular. Tendo em conta os preçários atuais representa um encargo anual de 36,2 euros anuais no Santander Totta, o que compara com 20,6 euros no Popular. Adicionando esse encargo aos considerados no nosso cenário base, o custo total com comissões aumenta em cerca de 25%, em resultado do casamento dos dois bancos.

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