TAP: Marcelo pede avaliação prévia para administradores executivos

A escolha de Lacerda Machado para a TAP está a ser alvo de críticas. O Presidente não comenta escolhas, mas quer lançar o debate sobre a avaliação dos nomes apontados a empresas onde está o Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa “não comenta escolhas políticas do Governo”, como a de Lacerda Machado para a TAP. Mas o Presidente da República mostra-se interessado em que se faça o debate sobre estas nomeações de administradores executivos para empresas onde o Estado está presente. Defende alguma avaliação prévia, como faz a Cresap.

Na Feira Nacional de Agricultura, Marcelo começou por salientar que o “que interessa aos portugueses é que a TAP corra bem. Os sinais têm sido positivos. Os resultados são encorajadores”, procurando afastar-se da guerra de palavras entre os partidos relativamente à escolha de Diogo Lacerda Machado para a TAP.

“O ponto interessante é para o futuro. Talvez valha a pena pensar para os administradores executivos de empresas onde está o Estado, que é que antes da decisão pelo Governo haja uma audição por parte de uma entidade independente que se pronuncie sobre os nomes propostos”.

Em casos mais importantes, diz o Presidente, deve “haver um sistema como há para o Presidente do Banco de Inglaterra e o do Presidente da BBC que é concurso público. É uma ideia para debater para o futuro e que pode ter pernas para andar”, afirmou, em declarações à RTP.

Marcelo foi direto: “sugiro um debate para o futuro sobre um modelo como a Cresap. Há muito tempo que me agrada”, conclui, sublinhando que não comenta nomes. “É uma escolha política. Não acho importante debater o nome de A, B, C ou D”, disse.

Durante o fim de semana, Pedro Passos Coelho afirmou que esta nomeação é “uma pouca vergonha, não tem outra classificação. E fica tão mal a quem nomeia como a quem aceita”. O líder do PSD notou que “o mesmo homem que andou a negociar a reversão da TAP parece que vai ser nomeado administrador da TAP pelo Estado. É uma coisa extraordinária. Tudo isto se faz esperando que ninguém diga nada”.

António Costa, afirmou, entretanto, que “está tomada” a decisão do Governo para a nomeação dos representantes do Estado no Conselho de Administração da TAP e que, pela sua parte, “não há polémica nenhuma”.

Diogo Lacerda Machado, “o melhor amigo” do primeiro-ministro, integrou as negociações com os acionistas privados para que o Estado voltasse a ter maioria do capital da TAP. Lacerda Machado era o preferido para chairman da companhia, como avançou o ECO, apesar dos desmentidos no dia seguinte à publicação.

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