Zona euro está a recuperar mas são precisas mais reformas, diz o FMI

  • Lusa
  • 16 Junho 2017

O FMI sugere a Portugal que aproveite este contexto para fazer aumentar a sua "almofada" financeira.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que a zona euro está a recuperar, mas alerta para a necessidade de reformas em “todos os países”, e sugere a Portugal que aproveite este contexto para fazer aumentar a sua ‘almofada’ financeira.

Num relatório preliminar de análise à Zona Euro, o FMI afirma que “a recuperação está a fortalecer-se e tornar-se mais abrangente”, com maior consumo privado e criação de emprego, mas continuam a ser necessárias “reformas estruturais nos países, de modo a estimular a produtividade, reduzir as lacunas de competitividade, e ajudar a reavivar a convergência de rendimentos em toda a união”.

A Portugal, Itália e França, países com elevada dívida e “pouca ou nenhuma margem fiscal”, o FMI aconselhou a “consolidarem-se gradualmente, de uma forma que estimule o crescimento, para reconstruírem as ‘almofadas’ financeiras, aproveitando a vantagem da recuperação”.

Em termos gerais, o relatório frisa que os países devem aproveitar a “margem de manobra” da recuperação para avançar com “reformas estruturais” e garante que “reformas bem delineadas podem aumentar a produtividade sem implicar dolorosas reduções de emprego”.

“A grande responsabilidade em implementar reformas tanto na produtividade como no trabalho é dos países”, sublinha.

Se todos os países adotarem as recomendações do FMI, tal resultaria numa “situação orçamental neutra” na Zona Euro em 2018, “o que é apropriado, à luz da recuperação”.

Entre os problemas na união monetária, o FMI aponta a inflação, que continua a “níveis indesejavelmente baixos”. “Os países que já estão a operar em plena capacidade devem ajudar no processo de recuperação, aceitando inflação acima dos 2% por um período prolongado de tempo e promovendo mais procura doméstica”, indica o relatório.

"As lacunas de competitividade nos países da zona euro aumentaram nos anos após a adoção do euro e continuam amplas, apesar dos ajustamentos dolorosos pós-crise que, nos países mais afetados, inevitavelmente se centraram na perda de emprego.”

FMI

Apesar da recuperação, a zona euro “enfrenta fraquezas estruturais profundas e desequilíbrios”, que “fazem questionar a promessa de rendimentos mais elevados através da integração”.

“As lacunas de competitividade nos países da zona euro aumentaram nos anos após a adoção do euro e continuam amplas, apesar dos ajustamentos dolorosos pós-crise que, nos países mais afetados, inevitavelmente se centraram na perda de emprego”. Para aproximar os países em termos de competitividade é necessário aumentar a produtividade, diz o FMI.

O relatório destaca também a importância de agir perante bancos com fracos resultados, incluindo através do seu encerramento.

“Os bancos têm de ser reestruturados e consolidados, descontinuando linhas de negócio não rentáveis, desenvolvendo novas fontes de rendimentos que não resultem dos juros, e racionalizando os níveis de pessoal e as suas redes de agências”, pode ler-se.

“Apesar de alguns bancos de grande dimensão, perante a pressão do mercado, terem aumentado o capital e melhorado a rentabilidade recentemente, a fragilidade estrutural continua a penalizar os lucros em muitos bancos de pequena e média dimensão. Houve poucas resoluções ou encerramentos de bancos, o que sugere uma relutância das autoridades nacionais em aplicar totalmente a Diretiva para a Recuperação e Resolução de Bancos, e uma falta de coordenação entre as várias instituições envolvidas ao nível da Zona Euro”, afirma.

Em relação ao ‘Brexit’, o FMI admite que pode trazer “desafios” mas também “oportunidades para fazer avançar a união de mercados de capital”.

“A confiança dos investidores pode ser reduzida pelas incertezas do ‘Brexit’, e – a médio prazo – as cadeias de abastecimento distribuídas entre o Reino Unido e a Europa continental podem sofrer perturbações. A migração das atividades financeiras multifacetadas de Londres para o ‘continente’ pode resultar em perdas em economias de escala e em algum – provavelmente modesto – impacto nos custos de transações”, afirma o FMI.

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