Investimento chinês em Portugal na mira das autoridades

O regulador chinês do setor financeiro está a investigar os empréstimos a cinco empresas, onde se inclui a Fosun, maior acionista do BCP, e o HNA Group, que está no capital da TAP.

As autoridades de Pequim estão a investigar a exposição de vários bancos chineses a algumas das maiores empresas daquele país, onde se incluem grupos com forte presença em Portugal. Em concreto, a Fosun que é a maior acionista do BCP e o HNA Group, que está na TAP. Deste conjunto de empresas fazem ainda parte o Dalian Wanda Group, o Anbang Insurance Group, e aos donos do AC Milan: o Xheijang Rossoneri. Não há confirmação oficial que estas empresas estejam a ser investigadas, com o regulador do setor financeiro a confirmar apenas a preocupação relativamente aos riscos sistémicos em causa, diz a Bloomberg.

A investigação é da responsabilidade da China Banking Regulatory Commision (CBRC), o regulador do setor financeiro chinês, que está preocupado com os riscos sistémicos que podem resultar da elevada exposição dos bancos chineses a empréstimos a esse conjunto de empresas que foram utilizados para aquisições no estrangeiro. Essas cinco empresas investiram mais de 60 mil milhões de dólares (perto de 54 mil milhões de euros) em aquisições em países estrangeiros ao longo dos últimos três anos, o que corresponde a 14% do total de aquisições chinesas realizadas nesse período, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Zhiqing Liu, vice diretor da CBRC, recusou comentar em específico as empresas a quem foram concedidos a esses empréstimos, mas revelou a preocupação do regulador com os riscos de propagação ao sistema, incluindo aos próprios bancos, associados aos empréstimos prestados a grandes grupos chineses.

A CBRC pediu aos bancos para disponibilizarem informações sobre os empréstimos concedidos para investimentos no estrangeiro, sobretudo em propriedade, cinemas, hotéis, entretenimento e clubes desportivos, detalha a Bloomberg.

Os bancos terão que submeter a sua análise sobre os potenciais riscos destes investimentos e as medidas que têm preparadas para lidar com estes riscos.

A China tornou-se, nos últimos anos, um dos principais investidores em Portugal, comprando participações importantes nas áreas da energia, dos seguros, da saúde e da banca.

A investigação provocou fortes danos no desempenho bolsista das cotadas cujos nomes estão associados a essa investigação. Foi o que aconteceu, por exemplo, com Fosun, cujas ações chegaram a derrapar perto de 10% na bolsa de Hong Kong nesta sessão. Quebra que também parece ter contagiado os títulos do BCP, banco de que a Fosun é a maior acionista. As ações do banco liderado por Nuno Amado chegaram a deslizar 3,6%, estando agora a recuar 2,07%, para os 23,21 cêntimos.

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