Moody’s aplaude mudanças no Montepio

Agência diz que aumento de capital e transformação da caixa económica em sociedade anónima vão reforçar os capitais da instituição. Ainda assim, elevado volume de ativos tóxicos continua a pesar.

Aumento de capital e transformação do banco em sociedade anónima. Para a agência Moody’s, as mudanças na Caixa Económica Montepio Geral têm impacto positivo para os credores da instituição. “Reforça a capacidade de absorção de perdas do banco face aos desafios muito significativos de qualidade dos ativos”, diz a vice-presidente María Viñuela, autora da nota publicada esta segunda-feira pela agência de rating.

Em primeiro lugar, o aumento de capital de 250 milhões de euros. A Moody’s estima que com este reforço de capital o banco consegue aumentar o seu rácio de força financeira de 10,7% para 12,6%, “permitindo cumprir com os requisitos de capital legais”. Mais: permite ainda aproximar os rácios do Montepio aos rácios dos outros bancos portugueses, cuja média se situava nos 12% no final de março.

Foi a 30 de junho que o Montepio Geral finalizou um aumento de capital de 250 milhões de euros, tendo sido totalmente subscrito pelo acionista único, a Associação Mutualista Montepio Geral. Na mesma ocasião, o banco anunciou uma oferta pública de aquisição sobre as unidades do fundo de participação da Caixa Económica, numa altura em que prepara a sua transformação em sociedade anónima.

Para a Moody’s, a instituição liderada por Félix Morgado vai beneficiar com esta transformação da caixa económica em sociedade anónima. Porque “vai permitir aceder ao mercado de capitais em caso de necessidade” quando até ao momento se encontrava exclusivamente dependente da Associação Mutualista. E depois porque, assim que se transformar numa sociedade anónima, será permitido ao Montepio aderir ao regime especial de DTA (ativos por impostos diferidos).

“Isto terá um impacto positivo de 50 pontos base no seu rácio de capital phased-in CET 1 e de 120 pontos base no seu rácio fully loaded CET1”, calcula a agência de notação, adiantando, porém, que o impacto da adesão aos DTA será limitado dado o elevado montante de ativos problemáticos.

Para resolver os seus problemas, o banco tem empreendido mudanças significativas. Além do aumento de capital e da transformação da caixa económica em sociedade anónima, a Associação Mutualista decidiu lançar uma oferta pública de aquisição sobre as unidades do fundo de investimento para tirar o banco de bolsa.

Tratam-se de medidas que visam abrir o capital da instituição a novos investidores, nomeadamente a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, com quem assinou um memorando de entendimento para a criação de um banco de vertente social.

Atualmente, a Moody’s atribui um rating de “B3” negativo à Caixa Económica Montepio Geral.

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