Rocha Andrade admite que teve conhecimento do inquérito

O secretário de Estado foi esta terça-feira ao Parlamento ser questionado sobre a lista negra de offshores, mas o início da audição foi marcada pelo Galpgate.

O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais admitiu esta terça-feira que teve conhecimento do inquérito antes de tomar a decisão de pedir a demissão a António Costa e para ser constituído arguido ao Ministério Público. “O meu pedido de exoneração é motivado por um facto novo“, afirmou Rocha Andrade, revelando que teve “conhecimento da constituição de arguidos” e sobre que factos incidia o inquérito.

“O meu pedido de exoneração é motivado por um facto superveniente e novo, nomeadamente, tive conhecimento de um inquérito, tive conhecimento da constituição de arguidos, tive conhecimento de que o inquérito incidia sobre esses factos”, afirmou Rocha Andrade.

Numa segunda pergunta da deputada Cecília Meireles, o secretário de Estado demissionário admitiu que foi o seu chefe de gabinete, João Bezerra da Silva, também ele arguido, que o informou do “objeto do processo”. Contudo, Rocha Andrade nega que teve “conhecimento que ia ser constituído arguido”. O responsável pelos Assuntos Fiscais afirmou que soube “que havia arguido constituídos no processo”, “por relações funcionais”.

“Nunca tive conhecimento que ia ser constituído como arguido”, garantiu no Parlamento, negando que tenha informação relativa ao processo. Rocha Andrade justificou a opção tomada: “Estas questões são mais facilmente resolvidas se as anteciparmos”, disse, afirmando que “não vale a pena estarmos aqui semanas à espera a ver se sou ou não constituído arguido, mais vale requere-lo diretamente”.

"A minha opinião de há um ano para cá não mudou, continuo a pensar que não tinha cometido um ilícito.”

Fernando Rocha Andrade

Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais

Na sua primeira intervenção, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais defendeu-se: “A minha opinião de há um ano para cá não mudou, continuo a pensar que não tinha cometido um ilícito”. Rocha Andrade deu a mesma justificação divulgada no domingo passado, referindo que queria exercer os seus “direitos de defesa”. “Embora um membro do Governo possa continuar a exercer funções enquanto arguido, a continuidade em funções seria um fator de perturbação”, justificou.

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