Ricciardi: “Granadeiro e Bava iam ao BES receber instruções”

  • ECO
  • 13 Julho 2017

José Maria Ricciardi foi ouvido como testemunha na Operação Marquês. O primo direito de Ricardo Salgado fez revelações sobre a PT, Sócrates, Passos Coelho, Paulo Portas, e até sobre o presidente Lula.

Questionado pelo procurador Rosário Teixeira, José Maria Ricciardi fez revelações sobre as relações do seu primo direito, Ricardo Salgado, no âmbito da Operação Marquês, ao Ministério Público. Foram ainda interrogados o ex-administrador da Escom, Pedro Neto, e o contabilista Machado da Cruz. O conteúdo dos depoimentos foi revelado esta quinta-feira pela Sábado.

Recuemos a 2007. Ricciardi garante que desde o início disse que o negócio da PT/Oi seria péssimo para o país, mas que teve de avançar ainda assim porque a operação estava decidida — e que a decisão final era de Salgado, que controlava a administração da PT. “Foi um investimento absolutamente ruinoso“, classificou Ricciardi nesta audição datada de 7 de fevereiro, que decorreu no DCIAP, em Lisboa.

O Dr. Henrique Granadeiro e o Eng.º Zeinal Bava iam ao BES receber instruções.

José Maria Ricciardi

Ex-presidente do BESI

“A minha obrigação era que o banco [BESI] tinha de ter receitas e ou o banco participava ou era excluído”, disse Ricciardi, revelando de seguida que “o Dr. Henrique Granadeiro e o Eng.º Zeinal Bava iam ao BES receber instruções”. Além de controlar a PT, Ricciardi diz que Salgado também tinha relação com Sócrates: “Ele teve sempre o cuidado de me dizer, ‘cuidado, quem fala com o primeiro-ministro sou eu‘”.

“O meu familiar tinha sempre esta preocupação de querer dar o ar de que era um acionista entre os outros na PT, que não mandava na PT”, explicou Ricciardi, referindo que a Ongoing era “um instrumento” de Salgado para ter maior influência sobre a PT. Além disso, havia a parte política do processo: Ricciardi disse ainda que terá havido um telefonema de Lula da Silva, presidente brasileiro, com José Sócrates, primeiro-ministro à época, a dizer que o negócio PT/Oi tinha luz verde para avançar.

A Sábado assinala que o testemunho decorreu com “alguma anarquia, falhas de memória e várias confusões de datas, locais e intervenientes”.

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