Compra da TVI pela Altice pode enfrentar “entraves políticos”

A Altice vai mesmo comprar a TVI. É um negócio de milhões de euros que pode enfrentar barreiras em termos de concorrência, mas também políticos. O BPI receia o ataque de António Costa a Drahi.

A Altice chegou a acordo para a compra da dona da TVI. A companhia de Patrick Drahi oferece 440 milhões de euros num negócio que, dizem os analistas, vai fazer mexer com o mercado de media, podendo obrigar os concorrente, a Nos e a Vodafone, a ripostarem. Mas para que seja concluída, é preciso que esta operação receba luz verde da concorrência. E, alerta o BPI, “poderá haver também entraves políticos à aquisição”.

"Depois dos comentários do primeiro-ministro, António Costa, relativamente à Altice, acreditamos que possam existir barreiras políticas para a conclusão deste negócio por parte da Altice.”

Pedro Oliveira

Analista do BPI

“Acreditamos que a aprovação por parte das autoridades portuguesas arrastar o processo, sendo que não afastamos a possibilidade de haver uma investigação aprofundada à operação que pode criar barreiras ao negócio”, refere o analista Pedro Oliveira, do BPI. “Qualquer investigação à operação deverá ser sempre limitada”, diz, por seu lado, o Haitong, notando que haverá sempre a obrigação de acesso de terceiros à TVI, da Media Capital.

Se em termos de concorrência podem existir barreiras, embora nada que os analistas considerem excecional, há o risco de surgirem entraves a nível político. “Depois dos comentários do primeiro-ministro, António Costa, relativamente à Altice, acreditamos que possam existir barreiras políticas para a conclusão deste negócio por parte da Altice”, nota o BPI.

“Partilho os receios sobre a evolução da PT [comprada pela Altice]. Porque receio bastante que a forma irresponsável como foi feita aquela privatização, possamos vir a ter um novo caso Cimpor e um novo desmembramento que ponha em causa não só os postos de trabalho como o futuro da empresa”, afirmou António Costa no debate do Estado da Nação. E até disse: “já fiz a minha escolha da companhia que utilizo”.

Se passar, os outros vão ter de se mexer

Se passar na avaliação da concorrência, mas também no campo político, a compra da Media Capital por parte da Altice vai ser “disruptiva” para o mercado, diz o BPI. “A Altice tentará encontrar vantagens competitivas em termos de conteúdos e forçará os concorrentes a mexerem-se”, salienta o analista Pedro Oliveira.

“Assumindo como valido o cenário em que a Altice adquire a Media Capital, somos da opinião que uma nova disputa entre os operadores por conteúdos possa intensificar-se”, refere Artur Amaro, analista do CaixaBI. É neste sentido que a Impresa tem brilhado em bolsa. A especulação em torno de uma oferta sobre a dona da SIC já mais do que duplicou o valor dos títulos em bolsa. A Cofina ganha 58% em 2017.

Nuno Matias, do Haitong, diz que tanto a Nos como a Vodafone “têm a possibilidade de replicar [o que a Altice consegue com a compra da Media Capital] através de parcerias com outras empresas de media”, notando que o investimento necessário será, ainda assim, “limitado”. O BPI teme que o esforço de investimento por parte, nomeadamente, da Nos tenha de ser reforçado, o que pode não ser bem visto pelos investidores.

Nota: A informação apresentada tem por base a nota emitida pelo banco de investimento, não constituindo uma qualquer recomendação por parte do ECO. Para efeitos de decisão de investimento, o leitor deve procurar junto do banco de investimento a nota na íntegra e consultar o seu intermediário financeiro.

 

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