Rosa Cullell fica na Media Capital. Mas por quanto tempo?

A Altice comprou a Media Capital e garantiu estar "empenhada" em trabalhar com Rosa Cullell na gestão dos destinos da dona da TVI. A dúvida é saber quanto tempo ficará a gestora à frente da empresa.

Está fechado o acordo entre a Altice e a Prisa para a aquisição da Media Capital. Mas uma das incógnitas que permanecem acerca do futuro d a dona da TVI é a manutenção do cargo de Rosa Cullell na liderança do grupo de media.

O assunto não passou ao lado da conferência de imprensa desta sexta-feira, onde o negócio foi apresentado ao público. Rosa Cullell apenas se juntou ao evento quando a apresentação já ia a meio, acompanhada do ainda presidente executivo da Prisa, José Luis Sainz. E logo surgiu a questão: vai ou não ficar no cargo? Segundo a Altice, sim, fica. Só não ficou explícito por quanto tempo.

“[Ficar] é a minha intenção. A minha intenção é ficar cá em Lisboa, com a minha equipa. Mas depende do novo acionista”, apontou. E deixou um alerta: “Acho que os media independentes são fundamentais para qualquer país.” Michel Combes, presidente executivo da Altice, logo foi questionado acerca do assunto. “Estamos extremamente empenhados em trabalhar com a Rosa no conselho de administração.” Não houve um não. Mas também não houve um claro sim.

"Estamos extremamente empenhados em trabalhar com a Rosa no conselho de administração.”

Michel Combes

Presidente executivo da Altice

As dúvidas tornaram-se mais evidentes quando Rosa Cullell foi abordada pelos jornalistas no final. Questionada se sentia “alguma tristeza” com o negócio, a gestora respondeu: “Eu não quero estar triste, sabe? Porque eu continuo a trabalhar com a minha equipa e continuo a trabalhar na Media Capital. E acho que vamos ter oportunidades que provavelmente não tínhamos antes. Portanto, se conseguir trabalhar com a minha equipa e em Lisboa, em Portugal e na Media Capital, eu vou estar contente.”

Eu não quero estar triste, sabe? Porque eu continuo a trabalhar com a minha equipa e continuo a trabalhar na Media Capital. (…) Se conseguir trabalhar com a minha equipa e em Lisboa, em Portugal e na Media Capital, eu vou estar contente.

Rosa Cullell

Presidente executiva da Media Capital

Como o ECO avançou em primeira mão há algumas semanas, a Altice apresentou uma proposta para comprar a Media Capital à Prisa. O aperto de mão só foi dado na madrugada desta sexta-feira, com o revelar do valor do negócio: 440 milhões de euros. Primeiro, a Prisa vende os seus 94,7% da dona da TVI à Altice e segue-se uma oferta pública de aquisição obrigatória para tentar garantir os restantes 5,3% da empresa.

O acordo está agora dependente do parecer final dos reguladores portugueses e espanhóis. A compra da Media Capital pela Altice, a dona da PT Portugal e que detém a operadora Meo, deverá desencadear uma tendência de consolidação entre os setores das telecomunicações e dos media, à semelhança do que já tem vindo a acontecer em mercados como França e Estados Unidos.

A suportar este facto está a escalada das ações do grupo concorrente, a Impresa, com os investidores expectantes de que um negócio do género envolvendo a dona da SIC possa ser anunciado nos próximos tempos. Quanto à Media Capital MCP 0,00% , avançava 17,04% na reta final da sessão desta sexta-feira.

Rosa Cullell, líder da Media Capital.Henrique Casinhas/ECO

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Rosa Cullell fica na Media Capital. Mas por quanto tempo?

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião