Salgado sobre Manuel Pinho, a economia, a geringonça, a Altice e a banca

  • ECO
  • 22 Julho 2017

Ricardo Salgado diz que o primo Ricciadi tem "excessos temperamentais", confia na gerigonça e considera que a Altice na Media Capital tem potencial.

Na entrevista ao Dinheiro Vivo, o antigo presidente do BES rejeita que tenha sugerido o nome de Manuel Pinho a José Sócrates para ministro da economia, uma acusação feita pelo primo José Maria Ricciardi. Sobre este, Ricardo Salgado diz que tem “excessos temperamentais” e que gosta de comentar sobre tudo. Em relação à economia e à gerigonça, manifesta-se moderadamente otimista. E considera que a compra da TVI para Media Capital “tem potencial”.

Sobre Manuel Pinho

“Há pessoas que têm por costume comentar tudo e falar de tudo, mesmo daquilo que não sabem. E eu julgo que o Ricciardi tem excessos temperamentais. Manuel Pinho, quando veio trabalhar connosco, veio do FMI e foi diretor geral do Tesouro no governo de Cavaco Silva. Em 2020, era ouvido pelo Presidente Sampaio e pelo secretário-geral do PS, Ferro Rodrigues. Saiu do BES em 2004. Não precisava de apresentações. Tivemos pena de ele ter deixado o banco. Mas não fui eu, nunca me passaria pela cabeça estar a apresentar ou a sugerir nomes a primeiros-ministros para membros do governo. Pode ter a certeza de que eu não sugeri nada ao engenheiro Sócrates.

Sobre a economia

“Temos tido fatores positivos que fizeram aumentar a confiança na economia, que têm a ver com a estabilidade política. Para essa estabilidade política tem contribuído este relacionamento do PS com dois partidos mais à esqueda, o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda, mas certamente que também tem contribuído a ação do Presidente da República. (…) Estou moderamente otimista.”

Sobre a geringonça

“Não estou surpreendido porque compreendo muitas das medidas que os partidos mais à esquerda pretendem para a economia. Julgo que é positivo para o país dar oportunidade de participar no processo político democrático aos partidos mais à esquerda e nunca foram tão ouvidos como são agora. É construtivo para o país.”

Sobre a banca

“O setor bancário tem de ser reorganizado com novos bancos que apoiem as empresas e a economia portuguesa. Não serão os bancos internacionais que vão apoiar os portugueses, nomeadamente na crise. E pensar que os bancos gigantes não vão ter problemas de futuro é uma ideia errada. O BPI é uma sucursal do CaixaBank, faz tudo aquilo que o CaixaBank faz em Espanha. Agora pode ter a certeza de que as operações de crédito do CaixaBank em Portugal não vão ter em atenção as PME, como têm os bancos portugueses. Devia haver espaço para a criação de novos bancos.”

Sobre a compra da TVI pela Altice

“Acredito que seja uma coisa boa para o país. Não conheço ninguém na Altice, mas reconheço que tem potencial. É claro que está numa fase muito complicada que a faz tomar decisões complicadas e isso é doloroso para quem trabalha na PT. Mas não nos podemos esquecer que, desde a privatização, já 70% do capital da PT estava no exterior, nas mãos do investidor estrangeiro. Quando o BES desapareceu tinha uma posição de 10% na PT. A PT ficaria sem possibilidade de ser mantida em mãos portuguesas se não houvesse outros que reforçassem a posição. A CGD podia tê-lo feito e não fez. Sempre defendi os centros de decisão em Portugal. Se o GES não fosse patriota teria recusado a proposta do Dr. Mário Soares para voltar a Portugal depois daquilo que aconteceu em 1975.”

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