Marcelo: “Caixa tem de pensar nos mais deprimidos economicamente”

O Presidente da República diz ser "sensível" aos portugueses vulneráveis a nível económico que possam sofrer com certas medidas da Caixa Geral de Depósitos. Já o défice tem de continuar a descer.

Marcelo Rebelo de Sousa espera que a Caixa Geral de Depósitos possa ser viável, mas que também continue a ter em conta o “tecido social português”. Em entrevista ao Diário de Notícias, o Presidente da República assinala ainda que é preciso continuar a baixar o défice e pede que não sejam introduzidos “fatores críticos” nas negociações para o Orçamento do Estado para 2018. Marcelo assegura que levará “até ao limite” os seus poderes do “magistério de influência”.

O Presidente da República reconhece que a recapitalização da CGD “teve a outra face da moeda que era a apresentação de um plano de restruturação que permitiu essa recapitalização”, assinalando que esse processo não foi “nada fácil”. Apesar de ver a importância desse plano, Marcelo diz também ser “sensível” aos que estão numa “situação mais deprimida do ponto de vista económico e que podem sofrer com certas medidas”.

O que espera então da Caixa Geral de Depósitos e da administração de Paulo Macedo, que vai aumentar as comissões em setembro? “O que eu espero é que seja possível uma solução que também possa permitir à Caixa Geral de Depósitos cumprir a sua missão, começando por ser viável e que, por outro lado, tenha em linha de conta o tecido social português”, clarifica.

Ainda sobre a banca, Marcelo afirma que a questão do crédito malparado está nas prioridades do país. O Presidente da República considera que “a própria evolução do sistema bancário, as recapitalizações e sobretudo o crescimento da economia” vai reduzindo uma parte do problema. “Mas há outra parte que não se resolve assim tão facilmente”, reconhece, assinalando que está a ser criada uma solução em conjunto com os bancos, a Comissão Europeia, o Banco de Portugal e o Banco Central Europeu.

“É preciso continuar a controlar o défice e ele tem de descer”

Marcelo Rebelo de Sousa argumenta que a importância do défice “não era uma evidência nem merecia consenso na opinião pública portuguesa há dez” — ao contrário do que acontecia noutros países –, mas que isso já é atualmente uma “conquista cívica” de Portugal. Por isso, o Presidente da República afirma que “é evidente que tem de haver permanentemente uma preocupação de finanças sãs”.

A razão para essa preocupação está ligada à credibilidade do país junto do setor financeiro, o que permitirá diminuir a dívida pública: “Isso [menos défice e mais crescimento] permite a credibilidade que justificou, nos últimos meses, da parte dos mercados financeiros terem uma reação muito mais favorável a colocações de dívida pública portuguesa do que o que se passava há um ano, ou há nove meses, ou mesmo há sete meses”.

Quanto às negociações para o Orçamento de Estado para 2018, Marcelo Rebelo de Sousa é otimista e rejeita cenários de grande instabilidade social, assinalando que “a área da governação deve ser coesa em termos de viabilizar a governação do país”. “Seria bom para o país que não houvesse a introdução de fatores críticos do ponto de vista político, mas como imagina não depende do Presidente da República”, acrescenta, remetendo para os partidos da geringonça a decisão de quererem ou não levar a legislativa até ao fim.

Situação atual “continua a exigir a estabilidade política”

Admitindo que alguns eleitorado de centro-direita possa estar desiludido com o seu mandato, Marcelo Rebelo de Sousa é direto em dizer que não lhe passou pela cabeça a possibilidade de dissolver a Assembleia da República quando tomou posse no ano passado. “Quando, a partir do início de abril, em teoria, eu como presidente poderia ter dissolvido a Assembleia da República – penso que alguns dos eleitores de centro-direita esperaram isso ou desejaram isso ou ansiaram por isso e, nisso, tiveram alguma desilusão -, isso estava completamente longe do meu pensamento, teria consequências dramáticas em termos do Orçamento do Estado para 2016, que chegariam a termos tais que a situação do país seria verdadeiramente desastrosa”.

O Presidente da República recorda que a cooperação com o Governo era necessária nessa altura, mas projeta que a situação atual e futura continuará “a exigir a estabilidade política”. Entre os objetivos está o défice, mas também o crescimento económico: “Temos de acelerar o crescimento – eu já coloquei a bitola, para alguns até muito alto, porque coloquei-a na ordem dos 3% -, para ser possível cumprir os objetivos do equilíbrio externo e do equilíbrio interno”.

Marcelo Rebelo de Sousa é da opinião de que um período de crise ou instabilidade política teria “consequências verdadeiramente desastrosas para a economia e as finanças portuguesas”. Ou seja, o Presidente diz que algum eleitorado de centro-direita que possa estar descontente “tem de compreender que há realmente prioridades nacionais e que uma prioridade nacional é esta, nossa, concreta, de natureza económica e financeira e essa exige estabilidade política que deve apontar para o cumprimento de legislaturas”.

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