Contra os turistas, Barcelona trava aluguer de segways

  • Juliana Nogueira Santos
  • 11 Agosto 2017

Ao mesmo tempo que a 'turismofobia' se agrava na cidade catalã, o município proibiu a circulação de veículos elétricos alugados na zona da Ciutat Vella.

A crescente pressão sobre o setor turístico tem levado os governantes espanhóis a tomar medidas de prevenção. O município de Barcelona anunciou que a circulação de segways e trotinetas elétricas alugadas vai ser limitado na zona da Ciutat Vella devido à “massificação do espaço público” e à destruição do património histórico e cultural.

Esta nova regra entrará em vigor no final de agosto, estando os veículos elétricos em questão limitados a circular pelas ruas apontadas pelo município para tal. Contudo, são exceções à regra os veículos próprios, os de transporte de mercadorias e a circulação de bicicletas.

Para além disto, o município quer criar uma patrulha especial da Guàrdia Urbana para detetar infratores. As empresas de aluguer destes veículos já se manifestaram contra a medida, afirmando que esta “vai matar o negócio”. Por outro lado, a Segway considera “compreensível” esta decisão, visto que é uma tentativa de melhorar a convivência entre locais e turistas.

Desde que passou a liderar a câmara municipal da cidade catalã, em 2015, Ada Colau definiu o turismo excessivo como uma prioridade da sua agenda política, tendo já bloqueado a emissão de licenças para novos hotéis e alojamentos locais. Colau também obrigou a Airbnb a retirar da plataforma de arrendamento todos os apartamentos que não contassem com licença municipal para tal.

‘Turismofobia’ tem tomado conta da cidade

O setor turístico contribui em 17% para o PIB da cidade de Barcelona e emprega diretamente cerca de 90 mil pessoas. Contudo, os catalães, principalmente os mais novos, têm saído às ruas para protestar contra o que dizem ser a ocupação da cidade por parte dos turistas.

Durante uma cerimónia associada ao aniversário de uma cadeia de hotéis da Catalunha, Mariano Rajoy, advertiu que atacar este setor “não faz sentido” e é “um disparate” que leva ao empobrecimento do país. “Nunca pensei que tivesse de defender o setor turístico espanhol. É algo verdadeiramente inédito”, garante o chefe do Governo espanhol.

Estas preocupações surgem ao mesmo tempo que foram registados novos incidentes desta vez em Bilbao, no País Basco, onde a sede da Agência Basca do Turismo foi vandalizada com tinta vermelha.

"Nunca pensei que tivesse de defender o setor turístico espanhol. É algo verdadeiramente inédito.”

Mariano Raroy

Chefe do Governo de Espanha

O presidente da Federação espanhola das associações das agências de viagens (FEAAV), Rafael Gallego, reconheceu que o setor vive com “muita preocupação” perante a eventual repercussão para o mercado exterior destes episódios de “turismofobia” e alertou para o perigo de acontecer algum incidente grave.

O representante pediu ainda aos responsáveis políticos para eliminarem das suas declarações qualquer indício de permissividade face a este tipo de comportamentos que têm como alvo o turismo espanhol.

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