Boom do turismo não chega para compensar importações

A balança comercial de bens e serviços piorou 412 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano. O aumento do excedente dos serviços foi insuficiente para compensar o aumento do défice dos bens.

O turismo aumentou o excedente comercial de serviços no primeiro semestre deste ano em mais de 800 milhões de euros, segundo os dados divulgados esta segunda-feira pelo Banco de Portugal. Contudo, o desempenho positivo não foi suficiente para amparar o impacto negativo do défice comercial de bens. As importações aumentaram a um ritmo superior das exportações nos primeiros seis meses do ano, o que agravou em 1.236 milhões de euros a balança comercial de bens — uma tendência que já se verificava no primeiro trimestre de 2017.

“Até junho, a balança de bens e serviços registou um excedente de 713 milhões de euros, menos 412 milhões de euros do que no período homólogo“, assinala o Banco de Portugal esta segunda-feira, referindo que “o aumento do excedente da balança de serviços em 825 milhões de euros foi insuficiente para compensar o aumento do défice da balança de bens”. Em causa está a subida de 14,7% das importações de bens face a 12,1% das exportações, o que agravou o já pesado défice comercial.

O excedente comercial de Portugal — que atingiu um máximo histórico no ano passado — acabou por perder 412 milhões de euros, mesmo com a rubrica “viagens e turismo” a avançar 808 milhões de euros no primeiro semestre, face ao mesmo período do ano passado. Ao todo, o défice da balança comercial de bens situa-se nos 5.374 milhões de euros. Já o excedente da balança comercial de serviços situa-se nos 6.087 milhões de euros.

Balança comercial de bens e de serviços até junho

Fonte: Banco de Portugal

Este desempenho que a economia portuguesa tem vindo a registar desde o início do ano refletiu-se também no PIB. Segundo a informação divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística na semana passada, “a procura externa líquida registou um contributo ligeiramente negativo para a variação homóloga [e em cadeia] do PIB” do segundo trimestre, que cresceu 2,8%. O organismo de estatísticas explica que foram as exportações que desaceleraram mais do que as importações, o que prejudicou o PIB dos meses de abril a junho.

O INE divulgou também, no início do mês, que Portugal vendeu um total de 27,8 mil milhões de euros em bens para o exterior, no conjunto dos seis primeiros meses do ano. Por outro lado, as importações totalizavam 34,1 mil milhões de euros no final do primeiro semestre.

(Atualizado pela última vez às 12h20)

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