Euro em máximos contra a libra. Paridade à vista?

  • Rita Atalaia
  • 23 Agosto 2017

Com o BCE mais perto de cortar nos estímulos, mas também as crescentes dúvidas quanto ao Brexit, o mercado cambial está ao rubro. O euro toca máximos face à libra, aproximando-se da paridade.

O euro está a ganhar força. Perante a expectativa de que o Banco Central Europeu comece a reduzir o programa de compra de dívida na Zona Euro, a moeda única brilha, especialmente contra a libra, numa altura em que crescem as dúvidas em torno do processo de saída do Reino Unido. Uma valorização para máximos da década que abre a porta à paridade. Será que está para breve? Se alguns analistas dizem que as duas moedas vão negociar lado a lado até ao final do próximo ano, por outro, há quem defenda que isto é improvável.

Desde que os britânicos decidiram que queriam que o Reino Unido abandonasse a UE, a 23 de junho de 2016, que a libra tem navegado ao sabor dos eventos em torno do Brexit. E os ventos continuam pouco favoráveis para a divisa. A primeira-ministra britânica, Theresa May, está disposta a aceitar a possibilidade de as leis da UE continuarem a influenciar o país, mesmo depois da saída, o que tem levado a moeda a cair, especialmente face ao euro.

A moeda única já tocou as 0,9196 libras, um máximo intradiário de dez meses, podendo fechar no valor mais elevado desde 2009… e esta tendência deve continuar — segue agora a subir 0,35% para 0,9204 libras. Os analistas do Crédit Agricole referem que o desempenho da moeda da Zona Euro sugere que os “investidores ainda estão muito confortáveis em apostar na apreciação” da divisa.

Euro em máximos de dez meses contra a libra

Mas será que é suficiente para as duas moedas negociarem lado a lado? Há quem diga que sim. Dois dos maiores bancos mundiais preveem que o euro vai atingir a paridade, ou mesmo superá-la, pela primeira vez. O HSBC prevê que a moeda única vai valer o mesmo que a libra até ao final do ano. Já o Morgan Stanley estima que o par alcance os 1,02 até ao final de março de 2018, o que representa um ganho de 12% para o euro em relação aos níveis atuais. Steve Barrow, estratega do Standard Bank, refere que não é um “grande salto de fé sugerir que podemos alcançar a paridade”. Seria “imprudente” excluir esta perspetiva, reforça Jane Foley, analista do Rabobank.

Este movimento reflete a especulação em torno do Banco Central Europeu. “Precisamos de pensar”, disse Mario Draghi na última discussão sobre política monetária, deixando os investidores a imaginar quais serão os próximos passos. Isto depois de ter deixado a porta aberta a ajustamentos da política num evento em Sintra — como uma diminuição das compras de obrigações — o que surpreendeu os investidores e levou o euro a valorizar para máximos de um ano. Mas este desempenho do par também mostra como continuam a existir dúvidas em torno das negociações sobre o Brexit. Dois “ingredientes” que permitiram que o euro “cozinhasse” uma subida de mais de 6% contra a libra desde o início do ano.

Paridade? Talvez não

Mesmo com os sinais em torno de uma normalização da política monetária do BCE, e as dúvidas em torno da saída do Reino Unido da UE, não é consensual que o euro chegue ao mesmo valor que a libra. “As incertezas geopolíticas levam a que estimemos um intervalo entre 0,9000 e 0,9150 [para o par euro face à libra] no curto prazo”, afirma Viraj Patel, do ING Groep — um dos bancos que, entre um grupo de 62 participantes numa sondagem da Bloomberg, defendeu que o par não vai alcançar a paridade.

"Ao contrário de uma série de previsões que sugerem que a libra pode alcançar a paridade contra o euro no final do ano, pensamos que há um conjunto de razões para a moeda britânica inverter algumas das recentes perdas.”

Paul Hollingsworth

Economista da Capital Economics

A Capital Economics também prevê uma recuperação da libra até ao final deste ano. “Ao contrário de uma série de previsões que sugerem que a libra pode alcançar a paridade contra o euro no final do ano, pensamos que há um conjunto de razões para a moeda britânica inverter algumas das recentes perdas”, nota Paul Hollingsworth, economista da Capital Economics. Isto porque os dados económicos devem começar a trazer boas notícias aos investidores. “Prevemos que os dados oficiais comecem a refletir as sondagens empresariais otimistas, que apontam para um crescimento trimestral de cerca de 0,5%”, remata.

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