Período de transição não pode ser usado para travar o Brexit

  • ECO
  • 13 Agosto 2017

Um período transitório limitado no tempo será importante para aumentar o interesse britânico, mas não pode ser uma escapatória para permanecer na União Europeia, alertam os ministros Hammond e Fox.

O Reino Unido necessita de um período de transição para minimizar os efeitos da sua saída da União Europeia. Mas este período não pode ser usado para travar o Brexit, alertam dois ministros britânicos citados pela Reuters. Alertas que revelam tréguas entre as fações rivais no Executivo de Theresa May e que permitem agora avançar nas negociações.

A estratégia de May para o Brexit tem sido alvo de amplos debates entre os principais elementos da sua equipa, desde que a eleições de junho ditaram um enfraquecimento da sua autoridade e acabaram por revelar as diferenças de opinião sobre a forma como o Reino Unido deve gerir a saída do bloco europeu.

Mas os debates e polémicas acesas parecem estar perto do fim com o ministro das Finanças pró-europeu Philip Hammond e o férreo defensor do Brexit, o ministro do Comércio, Liam Fox, assinaram uma posição conjunta num artigo publicado no Sunday Telegraph. “Acreditamos que um período transitório limitado no tempo será importante para aumentar o nosso interesse nacional e dar uma maior certeza aos empresários, mas não pode ser para sempre; não pode ser uma escapatória para permanecer na União Europeia”, dizem Hammond e Fox no artigo conjunto.

"Acreditamos que um período transitório limitado no tempo será importante para aumentar o nosso interesse nacional e dar uma maior certeza aos empresários, mas não pode ser para sempre; não pode ser uma escapatória para permanecer na União Europeia.”

Philip Hammond e Liam Fox

Hammond enfureceu os defensores do Brexit, no Executivo e no eleitorado, ao sugerir que o acordo de saída gerasse poucas mudanças imediatas em questões como a imigração, quando o Reino Unido saísse em março de 2019 e que poderia durar até ao final de 2022. Este tipo de acordo foi duramente criticado pelos eurocépticos e visto como uma traição relativamente à saída rápida que desejam e até levantou preocupações de que o processo fosse totalmente travado.

O artigo agora publicado vem garantir que a estratégia do Governo não se alterou e que o Reino Unido vai deixar a União Europeia no período previsto, ainda que com um período de transição.

Nova unidade permite avançar com as negociações

Depois de publicada esta posição comum, o ministro David Davis, que tem a responsabilidade de conduzir o país para o Brexit, disse que é necessário avançar com as negociações. “Temos de avançar com a negociação das grandes questões em torno da nossa futura parceria para garantir que conseguimos um acordo que fortaleça o Reino Unido e a UE”, disse o ministro num comunicado.

O Reino Unido quer começar a discutir a sua relação pós-Brexit com a Europa, porque precisa dar alguma tranquilidade aos empresários, cidadãos e investidores — a paulatina desvalorização da libra é um sinal dessa ansiedade –, mas Bruxelas insiste que, primeiro, é necessário definir os detalhes do divórcio.

O ministério de David Davis revelou que está a preparar a publicação de uma série de documentos com a posição do país a apresentar na próxima ronda de negociações sobre o ‘Brexit’ no final do mês. Em causa estão detalhes ao nível do novo acordo para as alfândegas e uma proposta de como resolver as dificuldade das inexistência de fronteira física entre a Irlanda e a Irlanda do Norte. “Temos sido claríssimos que questões relacionadas com a nossa saída e a nossa parceria futura estão intimamente relacionadas”, disse uma fonte do Ministério do Brexit, citada pela Reuters (conteúdo em inglês). “Estes documentos mostram que estamos preparados para alargar as nossas negociações”, acrescentou a mesma fonte.

 

As negociações sobre o ‘Brexit’ iniciaram-se em junho com três questões fundamentais: os direitos futuros dos cidadãos europeus que vivem no Reino Unido, o regulamento financeiro do divórcio e a questão da fronteira irlandesa. Resolver a situação da fronteira entre a nação da Irlanda do Norte, que integra o Reino Unido, e a República da Irlanda é essencial para o futuro da economia da ilha e do processo de paz.

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