Draghi precisa de pensar e adia tema dos estímulos para o outono

Discussão do plano de compra de dívida fica para o outono. Até lá, banco central vai analisar sustentabilidade da inflação com Draghi a pedir "persistência, paciência e prudência".

Draghi adiou decisões sobre estímulos para o outono.BCE

“Não estabelecemos datas. Precisamos de pensar. Precisamos de muitos dados que não temos hoje. Há muita incerteza. E não tomamos decisões sem termos uma informação completa”, disse o presidente do Banco Central Europeu (BCE).

Discussões no Conselho de Governadores em torno do programa de compra de dívida pública na Zona Euro só ocorrerão algures próximo outono, assegurou esta quinta-feira Mario Draghi, numa conferência de imprensa que foi amplamente dominada pelo tema dos estímulos. Draghi falava após o banco central ter mantido as taxas de juro em 0%.

O italiano voltou a fazer uso dos famosos três “P” — “Precisamos de ser persistentes, pacientes e prudentes” — para defender a necessidade de manter um elevado grau de acomodação monetária que suporte a taxa de inflação. E foi “uma decisão unânime” a de não proceder a qualquer alteração na política e na comunicação, frisou Draghi.

Os jornalistas confrontaram Mario Draghi com o tema dos estímulos por mais do que uma vez. É verdade que uma equipa técnica do banco central está a estudar alternativas após o fim do programa de compra de dívida, que tem sossegado os mercados? O presidente italiano rejeitou essa notícia. E afastou qualquer ideia de que os governadores do banco central já estejam em discussões em relação a esse assunto.

Ainda que a retoma económica esteja a solidificar, Draghi pretende esperar por dados mais concretos de que os salários e os preços também estão a ganhar tração em direção ao objetivo do BCE — uma inflação abaixo, mas próxima dos 2%.

“Estamos finalmente a experienciar uma recuperação robusta. Estamos apenas à espera que os salários e os preços acompanhem o curso. Precisamos de ser persistentes, pacientes e prudentes porque ainda não chegámos lá“, disse. “É exatamente por isso que vamos ter essa discussão no outono e não quisemos estabelecer uma data precisa. Vai ser uma discussão que será feita por várias partes”, considerou ainda.

Sobre o que se passou em Sintra, Draghi referiu que houve uma reação despropositada quanto ao que disse, nomeadamente em relação à palavra “reflação” — tendência de subida dos preços suportada por políticas orçamentais dos governos e não pelas políticas monetárias dos bancos centrais — que foi enunciada num discurso realizado há um mês e que deixou os mercados agitados.

“A última coisa que o Conselho de Governadores quer é um aperto indesejado nas condições financeiras”, declarou o italiano.

A próxima reunião acontece a 7 de setembro. A seguinte está agendada para 26 de outubro. Será por esta altura que o futuro dos estímulos será decidido. Por enquanto, o BCE vai manter-se ativo no mercado dado que o programa de aquisição de dívida só termina no final do ano.

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