Sonae reduz lucros sem imobiliário. Receitas sobem

O lucro da Sonae recuou 4,4%, para os 73 milhões de euros, nos primeiros seis meses do ano. Sem os ganhos extraordinários registados no período homólogo, o lucro teria crescido. Vendas subiram 8%.

A Sonae SGPS, holding que agrega os ativos de distribuição, centros comerciais, telecomunicações e tecnologia, fechou os primeiros seis meses do ano com um lucro de 73 milhões de euros, menos 4,4% do que o resultado alcançado em igual período do ano anterior, segundo os dados apresentados esta quarta-feira à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Ainda assim, os lucros reportados no primeiro semestre do ano superam as estimativas dos analistas consultados pela Reuters.

A Sonae justifica, em comunicado, que “excluindo os ganhos de capital não recorrentes registados no primeiro trimestre de 2016, fruto essencialmente das operações de sale and laseback, a evolução do resultado líquido da Sonae teria sido claramente positiva”. De facto, olhando apenas para o segundo trimestre deste ano, a empresa liderada por Ângelo Paupério e Paulo Azevedo aumentou os lucros em 39,7%, para 65 milhões de euros. Nesse período, “a comparabilidade não é afetada pelos itens não recorrentes”, refere a Sonae.

No plano operacional, as vendas consolidadas da Sonae aumentaram em 8%, para os 2.603 milhões de euros, “com todos os negócios a contribuir positivamente para esta evolução: Sonae Retalho, Sonae IM e Sonae FS”. No segundo trimestre do ano, o crescimento acelerou para os 10% para 1.324 milhões de euros.

Já o EBITDA (resultados antes de juros, impostos, amortização e depreciação) recuou 24% para os 142 milhões de euros. O EBITDA subjacente aumentou 9,2% para os 116 milhões de euros, “impulsionado pela evolução positiva da rentabilidade operacional de todos os negócios”.

A Sonae destaca que “a forte performance operacional dos negócio no primeiro semestre de 2017 contribuiu positivamente para os indicadores de rentabilidade da Sonae”. Ainda assim, salienta, durante o primeiro semestre do ano passado tinha sido registado um impacto positivo de 56 milhões de euros na rubrica itens não recorrentes, beneficiando sobretudo, dos ganhos de capital obtidos com as operações de ‘sale and leaseback’ concluídas pela Sonae RP no primeiro trimestre de 2016, o que prejudica a comparabilidade entre períodos”.

A contabilização dos itens não recorrentes acaba por também penalizar os resultados diretos, que sofrem uma quebra de 35,5% para 43 milhões de euros. No período de abril a junho, o resultado direto sobe 50,3% para 34 milhões de euros. Já nos primeiros seis meses do ano, o resultado indireto aumentou 22 milhões de euros, atingindo os 33 milhões de euros “beneficiando principalmente do efeito positivo da avaliação de ativos da Sonae Sierra”.

A Sonae indica ainda que continua a reforçar a estrutura de capital, com o capital próprio a superar os 2 mil milhões de euros, atingindo os 2.034 milhões de euros no final dos primeiros seis meses do ano.

O investimento realizado pela Sonae nos primeiros seis meses do ano atingiu os 121 milhões de euros, cerca de 4,6% do volume de negócios. Este montante foi canalizado para a abertura de novas unidades, lançamento de novos negócios e reforço da internacionalização. A Sonae MC absorveu 67 milhões de euros, a Worten 13 milhões, a Sonae Sports& Fashion 16 milhões, a Sonae RP16 milhões e a Sonae IM 5 milhões.

Por área de negócio, a Sonae Retalho, que inclui as unidades da Sonae MC, Worten, Sonae Sports & Fashion e Sonae RP, viu o volume de negócios crescer 7,5% para os 2.564 milhões de euros. Já o EBITDA subjacente do retalho aumentou 10,3% para 128 milhões de euros, em termos homólogos.

Na Worten, o volume de negócios, nos primeiros seis meses do ano, foi de 435 milhões de euros na Ibéria, o que representa um aumento de 31 milhões de euros face ao período homólogo de 2016. Na divisão de Sports&Fashion, as vendas aumentaram 28,8% no primeiro semestre de 2017, para os 270 milhões de euros, com o contributo de todos os negócios.

A Sonae RP, unidade de negócio responsável pela gestão do portefólio de imobiliário de retalho da Sonae, detinha no final do semestre um portefólio de 21 lojas Continente, 62 lojas Continente Modelo e 26 lojas Continente Bom Dia, correspondendo a uma valor contabilístico bruto de 1.272 milhões de euros (valor contabilístico bruto de 914 milhões de euros).

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