Coreia do Norte fez tremer a terra. E também as bolsas

Regime norte-coreano estará a preparar-se para lançar mais um míssil intercontinental. Tensões com os EUA aumentam e passam fatura às bolsas internacionais, Lisboa incluída.

A Coreia do Norte não dá o braço a torcer. Este domingo, o regime de Kim Jong-Un garantiu ter testado com sucesso uma bomba de hidrogénio, um perigoso engenho nuclear que, nas mãos erradas, poderá dizimar cidades inteiras — ou até países. O alvo das ameaças é sempre o mesmo: os Estados Unidos, que também já estão a perder a paciência.

Esta segunda-feira, os mercados estão a reagir negativamente a mais um passo no sentido de uma Coreia do Norte com armamento nuclear viável. A pressão vendedora é transversal, com o Stoxx 600, o índice de referência europeu, a cair 0,50%. Nem mesmo Lisboa escapa à tendência: o PSI-20 abriu a derrapar e, a meio da manhã, caía já 0,72%. Entre as cotadas nacionais, só a Ibersol e a EDP estavam a valorizar. Tudo o resto eram perdas, que chegavam, em alguns casos, aos 2%.

Uma das cotadas com maiores perdas é o BCP. No dia em que a instituição liderada por Nuno Amado assinala os 30 anos da entrada na bolsa, o banco caía 1,77%, com as ações a valerem cerca de 22,3 cêntimos. Ao mesmo tempo, ganhavam os ativos de refúgio. O ouro, o refúgio de excelência, chegou a registar ganhos de 1% e, a meio da manhã de segunda-feira, avançava 0,70% para 1.334,48 dólares a onça.

Torna-se evidente que as manobras militares da Coreia do Norte, apesar de ainda não terem feito estragos concretos, estão a passar a fatura aos mercados. Na semana passada, quando se soube do lançamento de mais um míssil pelo regime norte-coreano, um projétil que chegou mesmo a sobrevoar território japonês, as bolsas também se retraíram. Só o trágico furacão Harvey, que passou a tempestade tropical e atingiu fortemente os Estados Unidos, conseguiu roubar o protagonismo à escalada de tensões entre os dois países — pelos piores motivos.

É também tido como certo Pyongyang não se vai ficar por aqui. Segundo avança a Bloomberg, logo após o teste da bomba de hidrogénio, que terá sido efetuado em túneis subterrâneos a norte do país, foram detetados indícios de que Kim Jong-Un se estará a preparar para mais uma manobra. Desta vez, refere a Coreia do Sul, poderá tratar-se de mais um ICMB — isto é, um míssil balístico intercontinental. Se o fizer — e, acima de tudo, se o fizer durante o rescaldo dos testes da bomba de hidrogénio –, as tensões geopolíticas alcançarão um novo patamar.

Kim Jong-Un com aquilo que aparenta ser uma ogiva termonuclear. Não se sabe se é real ou apenas um protótipoEPA/KCNA

A Coreia do Sul prepara-se agora para receber um sistema de defesa antimíssil cedido pelos Estados Unidos, e foram conduzidos testes virtuais de bombardeamento tendo o campo de testes da Coreia do Norte como alvo. Já antes tinham surgido ameaças de parte a parte, com o líder norte-coreano a ameaçar um alvo concreto: a ilha norte-americana de Guam.

No que estará a pensar Donald Trump? O Presidente dos EUA já afirmou anteriormente ter “todas as hipóteses em cima da mesa”. Agora, decidiu reforçar as sanções económicas à Coreia do Norte, alargando-as a qualquer país que mantenha relações com aquele regime. A medida está a ser vista, sobretudo, como um rosnar à China, a quem Trump cedo colocou o ónus da resolução do problema — não fosse a China um dos poucos países que ainda se dá com a Coreia do Norte.

Para já, e apesar de todo este cenário, parece pouco provável que os Estados Unidos avancem com qualquer manobra contra a Coreia do Norte sem um ataque ou ameaça mais concreta. À Bloomberg, Chang Jaechul, economista chefe da KB Securities Co., assumiu que “a possibilidade de um incidente militar é baixa”. Mas alertou que “se a Coreia do Norte aumenta as provocações para protestar contra as sanções e a pressão da comunidade internacional, as tensões na Península da Coreia poderão escalar para um nível diferente dos anteriores”.

Estará o mundo à beira de uma guerra nuclear? Talvez não. Desde logo porque há muito a perder para ambas as partes: um ataque da Coreia do Norte mereceria grande retaliação por parte dos EUA, enquanto um ataque dos EUA à Coreia do Norte poria em grave risco os aliados da Coreia do Sul e os soldados norte-americanos que lá se encontram estacionados. Além do mais, não está confirmado que a Coreia do Norte seja capaz de produzir ogivas nucleares capazes de serem transportadas num míssil balístico.

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