Economistas da Fitch alertam que o emprego vai deixar de puxar pelo PIB

  • Tiago Varzim
  • 5 Setembro 2017

Ganhos do emprego e os seus efeitos no PIB não são sustentáveis no longo prazo. Quem o diz é a BMI Research, a unidade de análise económica da Fitch, que reviu em alta o crescimento para 2,5% em 2017.

O contributo positivo do emprego no crescimento da economia portuguesa não é sustentável, segundo a BMI Research. A unidade de análise económica da agência de notação financeira Fitch argumenta, num relatório divulgado esta segunda-feira, que os ganhos do mercado de trabalho já estão no limite.

“A principal razão para a subida do PIB no segundo trimestre de 2017 foi o crescimento do emprego de 3,5%. A questão agora é se os contributos [positivos] do emprego podem ser sustentáveis”, perguntam os especialistas da BMI Research. No relatório respondem que tal não é possível porque era preciso aumentar a atual força de trabalho.

“A recuperação económica de Portugal vai tornar-se gradualmente mais desafiante assim que os ganhos rápidos do emprego que deram gás à subida do PIB começarem a diminuir bruscamente nos próximos anos“, assinala o relatório. Contudo, os analistas acreditam que a produtividade passará a contribuir mais para o PIB, ainda que existam “restrições estruturais” a limitar a expansão da economia.

Apesar de estar menos otimista com o futuro, a BMI Research reviu em alta a subida do PIB em 2017 de 1,4% para 2,5%. Para 2018 os especialistas também reviram em alta o crescimento económico de 1,2% para 1,9%. Esta desaceleração prevista pela unidade da Fitch tem em consideração que, neste momento, a subida do PIB tem tido um contributo forte do emprego, mas fraco da produtividade.

O relatório considera que no próximo ano Portugal chegará perto do “pleno emprego” e, por isso, o PIB passará a contar com um menor contributo desta componente. “Mais ganhos no emprego além do que já se verifica implicaria um aumento do intervalo de idades em que as pessoas trabalham ou um aumento da taxa de participação, mas nenhum dos casos parece ser provável”, argumentam os especialistas.

Porquê? “Mesmo com reformas drásticas, será difícil que a participação da força de trabalho aumente para além do nível atual de 80%, que está acima do agregado da zona euro de 78%”, lê-se no relatório. Ou seja, o contributo do emprego no PIB “é passado”, classifica a BMI Research. E, por isso, “o crescimento da produtividade terá de acelerar para que o crescimento económico português se mantenha perto do ritmo que registou nos últimos dois anos” — o que será “desafiante”, estimam os especialistas.

Em causa está a “baixa produtividade” dos setores onde Portugal tem uma “vantagem competitiva”, diz o relatório, exemplificando com o caso do turismo. Acresce que o investimento no setor corporativo tem sido “abatido” e a BMI Research estima que será difícil que haja um boom por causa das restrições do setor financeiro. “Ainda há um longo percurso a percorrer até que as empresas possam voltar a endividar-se [para investir] e que os bancos estejam preparados para emprestar“, rematam.

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