Yupido: professor universitário descobriu empresa por acaso

  • ECO
  • 9 Setembro 2017

Académico estava a analisar uma base de dados com mais de 300 mil empresas quando descobriu o capital social de 29 mil milhões de euros da Yupido.

Foi por acaso que um investigador universitário da Universidade do Minho descobriu a Yupido, a empresa que está no centro da agenda mediática, depois de, no ano passado, ter aumentado o capital social de 243 milhões de euros para 28,8 mil milhões de euros, duas vezes o capital da Galp Energia. Este montante resultou da incorporação de uma “ativo intangível” de valor multimilionário — uma plataforma digital inovadora de media que se destaca “pelos algoritmos que a constituem”, como o ECO avançou em primeira mão.

O Observador escreve este sábado que o investigador estava a trabalhar na base de dados Amadeus, que reúne informação financeira pública de cerca de 20 milhões de empresas europeias, quando descobriu a “anomalia estatística”. O Observador conversou mesmo com o professor universitário, que contudo não quer ser identificado. Um dos trabalhos de investigação deste académico consiste em analisar a performance das empresas portuguesas, de modo a perceber quais as que têm melhores desempenhos financeiros. Em análise estão parâmetros como o capital social, o número de trabalhadores, o volume de negócios e lucros, por exemplo.

Foi precisamente durante esta análise que o investigador deparou com o valor do investimento inicial da empresa, os 243 milhões de euros.

Segundo avança o Observador, a anomalia detetada tinha por base a correlação entre o capital social e o número de colaboradores da Yupido. Como a empresa não tinha colaboradores, este valor individual apareceu com um total de 243 milhões de euros por colaborador. Por esta altura, o investigador desconhecia ainda que o capital social da empresa era de 28,8 mil milhões de euros.

“Temos empresas com capital social superior aos 243 milhões, mas quando dividimos o valor de uma Galp, por exemplo, pelo número de trabalhadores da empresa, o valor que nos aparece é razoável. Na Yupido, o valor que aparecia era 243 milhões por trabalhador. Este número ainda é pior do que os 28 mil milhões”, explicou o investigador ao Observador.

Por curiosidade o professor consultou a internet para pesquisar o que surgia sobre a empresa. Um dos aspetos que mais o intrigou foi o facto da empresa manter os 243 milhões de euros em depósitos bancários. Quando se deu conta do aumento de capital que avaliava a empresa em perto de 28,8 mil milhões de euros, partilhou na sua página de Facebook a informação.

O investigador faz questão de frisar que: “Aqui não houve nenhuma fuga de informação, qualquer investigador que acede à plataforma tem acesso a estes dados”.

A Yupido está registada como uma empresa de consultadoria e tem como presidente executivo Hugo Martins, e foi fundada por Cláudia Alves, diretora de operações e Torcato Jorge, diretor de marketing.

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