Juncker faz “o mais importante” discurso sobre o estado da União

Com as negociações para o Brexit em velocidade de cruzeiro, a segurança no topo das prioridades e uma Europa a braços com uma crise de migração, Juncker vai fazer a sua avaliação do estado da União.

Jean-Claude Juncker abre, esta quarta-feira, a rentrée do Parlamento Europeu, com o discurso anual sobre o estado da União. Desta vez, com mais de metade do mandato já concluída, o presidente da Comissão Europeia promete um discurso menos diplomático e mais pessoal sobre o estado da União Europeia. Este, reconhece, será o discurso mais importante do sua passagem pela Comissão Europeia — o próximo será já em jeito de despedida, uma vez que Juncker não planeia recandidatar-se e o seu mandato termina em 2019.

“Pergunto-me a mim mesmo se não deveria aproveitar a oportunidade para dizer o que eu próprio estou a pensar. O discurso de 2017 é, de facto, mais importante do que o de 2018. Por isso, vou partilhar a minha visão sobre as coisas“. Foi desta forma que, no mês passado, em entrevista ao Politico, Jean-Claude Juncker fez a antevisão do seu discurso sobre o estado da União.

É essa visão pessoal que esperam comentadores e analistas políticos, que veem neste discurso a última oportunidade de Juncker de ser recordado para lá da saída de um dos principais Estados membros da União Europeia. Para além desse tema, a segurança, o crescimento da zona euro, a crise migratória e as relações comerciais internacionais deverão ser o foco de Juncker.

Relações internacionais são prioridade

Para lá do Brexit, há mais mudanças a nível internacional que vêm obrigar a União Europeia a repensar a relação com alguns dos principais parceiros comerciais. A mais marcante é a eleição de Donald Trump, que, logo depois de ter tomado posse como presidente dos Estados Unidos, começou a renegociar acordos comerciais, onde se incluem o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, na sigla inglesa), que estava a ser negociado entre a União Europeia e a administração Obama e que, agora, deverá ficar pelo caminho.

Outro dos assuntos abordados por Juncker, salienta o Financial Times (acesso pago), será um maior controlo do investimento estrangeiro na União Europeia, em particular o investimento proveniente da China. O presidente da Comissão Europeia deverá, assim, apresentar medidas que visam uma maior coordenação entre as autoridades nacionais para que seja possível um maior controlo das aquisições em setores como a energia ou a tecnologia.

Brexit perde peso, mas deverá marcar presença

Quando, há um ano, Juncker discursou sobre o estado da União, apenas três meses depois de os britânicos terem dito “sim” à saída da União Europeia, o presidente da Comissão Europeia quis ser “muito honesto” no diagnóstico que fazia: “A nossa União Europeia está, pelo menos em parte, numa crise existencial”.

Um ano depois, as negociações do Brexit já estão em velocidade de cruzeiro e será pouco provável que Juncker volte a centrar o discurso neste assunto, mas o certo que é que o presidente da Comissão Europeia não tem perdido oportunidades para criticar os britânicos, e este discurso não deverá ser exceção. Recentemente, sublinhou que “nenhuma” das posições apresentadas pelo Reino Unido sobre vários assuntos é satisfatória. Meses antes, Juncker optou pelo humor para questionar a importância do Reino Unido na União Europeia. “Estou a hesitar entre o inglês e o francês. Mas fiz a minha escolha. Vou expressar-me em francês porque, lenta mas certamente, o inglês está a perder importância na Europa”, disse.

O futuro da zona euro

O Brexit traz desafios, mas abre portas a uma nova fase da zona euro. Como lembra o Politico, Juncker já defendeu que, sem o Reino Unido, será mais fácil coordenar as políticas e prioridades fiscais do bloco da moeda única. “Quando os britânicos saírem, 85% do PIB da União Europeia virá da zona euro. É urgente questionar como é que a união monetária pode ser acompanhada de uma coordenação mais forte da política económica”, salientou já o presidente da Comissão Europeia.

Entre as novidades, poderão estar novas pistas sobre a criação de um ministro das Finanças europeu, uma figura já defendida por Emmanuel Macron e por Angela Merkel. Outra novidade, aponta o Politico, poderá ser a transformação do Mecanismo Europeu de Estabilidade numa espécie de Fundo Monetário Internacional Europeu, capaz de intervir para resgatar uma economia europeia.

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