Lisboa: Maior consumidora aposta no consumo inteligente

  • Filipe S. Fernandes
  • 22 Setembro 2017

No consumo de energia, a área metropolitana de Lisboa representou 25,5% do consumo total de electricidade em Portugal em 2015. A grande estratégia é aproveitar a rede de conexões e inteligência.

Em julho passado, a EDP lançou em parceria com a Nos um contador inteligente assente em rede 4.5G, tecnologia também conhecia como NB-IoT. Na zona do Parque das Nações, em Lisboa, a operadora instalou duas antenas que vão suportar a rede do projeto-piloto que deverá chegar a 100 clientes até ao final do ano.

O objetivo é a deteção automática de falhas de energia, melhorando o tempo de resposta na monitorização, ou a mediação constante do consumo são apontadas como vantagens desta tecnologia, com maior capacidade de passar obstáculos físicos como paredes. Neste projeto estão envolvidos a Huawei, a Janz e a U-Blox e o lançamento do contador inteligente NB-IoT, sem fios, integra o projeto de redes inteligentes Inovgrid lançado em 2007 pela EDP Distribuição, contando com o apoio da Comissão Europeia.

A EDP Distribuição quer colocar 60% dos contadores inteligentes nos clientes residenciais, que são cerca de seis milhões, até 2020. Atualmente, um milhão têm contadores inteligentes mas só metade está a comunicar bem.

As redes inteligentes que começam a interligar os sistemas de transportes, negócios, e residenciais que são grandes utilizadores de energia vão permitir obter ganhos de eficiência e construir mecanismos mais resilientes capazes de lidar com as ameaças à sua sustentabilidade.

No domínio da energia, em termos de consumo, a área metropolitana de Lisboa representou 25,5% do consumo total de eletricidade em Portugal em 2015. Em termos de produção, no período entre 2002 e 2014, reduziu significativamente (-62%) a capacidade de produção bruta de energia elétrica, contrariando uma tendência de aumento da capacidade a nível nacional (13%) propiciada pelas energias renováveis, em particular a energia eólica. Esta redução teve a ver com o encerramento da Central Termoelétrica de Setúbal a partir de fuelóleo, a 18 de setembro de 2012, depois de 23 anos de atividade.

A região não acompanhou a tendência nacional de diversificação das fontes de energia. A Península de Setúbal depende quase exclusivamente da energia térmica, representa 99% da capacidade de produção bruta de energia da região, como as centrais de cogeração do Barreiro da Fisigen e da fábrica da Mitrena em Setúbal da The Navigator Company, e, na Grande Lisboa, menos de um quarto da energia elétrica produzida provém de fontes renováveis.

Acionistas estrangeiros com energia

As grandes empresas dos setores da energia, tanto no petróleo e gás como no eletricidade e nas redes energéticas, que são verdadeiros motores de investimento no exterior por parte do setor empresarial português, o que também tem despertado o interesse de acionistas estrangeiros. Em 2011, a China Three Gorges (CTG) pagou 2.700 milhões de euros por 21,35 da EDP, eletricidade e distribuição de gás natural, e a empresa estatal chinesa CNIC tem mais 3,02%: juntas controlam 24,37% da elétrica portuguesa. Esta empresa está agora a ser cobiçada pela espanhola Gas Natural.

Na REN, nas áreas das redes de transporte de eletricidade e de gás natural, a chinesa State Grid pagou 388 milhões de euros em 2012 para comprar 25% do capital seguindo-se, em 2014, a entrada da Fosun através da seguradora Fidelidade, que detém 5,3%. Um dos outros acionistas de referência é a Oman Oil, com 15%. Por sua vez, a GalpEnergia, setores do petróleo e gás natural e eletricidade, é controlada pelo grupo Américo Amorim e Sonangol, pertencendo à Partex Oil and Gas na exploração de petróleo no exterior à Fundação Gulbenkian.

Portugal tem uma grande dependência estrutural do exterior ao nível energético devido à escassez de recursos energéticos endógenos, designadamente petróleo, carvão e gás, e aos elevados consumos de energia. Por isso, a tendência na política energética tem sido a busca de um modelo energético mais racional e sustentável com maior contribuição da energia proveniente de fontes endógenas renováveis — hídrica, solar, eólica, biomassa, oceânica e geotérmica –, e com o aumento da eficiência energética nacional, através do favorecimento de tecnologias menos consumidoras de energia e do fomento de padrões mais sustentáveis de mobilidade e transportes, de regeneração urbana e de habitação.

Em 2016, a redução de 5,3% no saldo importador dos produtos energéticos, compensada pelo aumento de 35% da produção de energia elétrica a partir de fontes renováveis, permitiu que a dependência energética sofresse uma redução de 3,5%, passando de 78,3% em 2015 para 74,8%.

Esta nova política energética, acentuada ao longo do século XXI, tem dado origem a um universo crescente de projetos empresariais na área da energia como a WinPower – Engenharia e Desenvolvimento, do grupo Zagope, empresa de engenharia que tem como área central de negócio o desenvolvimento de soluções e comercialização de equipamentos e sistemas chave na mão nas áreas da energia e do ambiente; a Tecnoprojecto Internacional, de capitais luso-angolanos, especializada em serviços de engenharia, construção e arranque de instalações e de manutenção para as indústrias de Petróleo & Gás e Eletricidade & Ambiente, com destaque para as áreas de instrumentação, automação, comando e controlo e de eletricidade industrial, e está em Angola, Roménia, Rússia, Sérvia, Moçambique e Colômbia; a suíça Koch Engineering fornece à escala global serviços de engenharia, desenvolvimento e gestão de projetos e construção de instalações, bem como serviços nas áreas da qualidade, segurança e ambiente em centrais termoelétricas, fábricas petroquímicas e instalações de movimentação de granéis ou a belga TPF Planege Cenor que fornece serviços de engenharia, gestão de projetos e supervisão de obras em empreendimentos complexos em setores como transportes, energia, indústrias de processo, água e saneamento.

A exploração de energias renováveis no mar ao largo da costa portuguesa vai atrair, até 2022, investimentos de 254 milhões de euros, entre financiamento público e privado, refere o relatório “Energia no mar”, elaborado no final do ano passado por um grupo de trabalho com três dezenas de especialistas e presidido pela ministra do Mar, Ana Paula Vitorino.

O maior projeto em desenvolvimento é o Windfloat (liderado por EDP e Repsol), que explorará eólicas “offshore” ao largo de Viana do Castelo e cuja expansão do Windfloat deverá absorver 105 milhões de euros, mais 30 milhões para o cabo elétrico submarino para ligar a Viana do Castelo à produção energética no mar. A empresa Corpower deverá, no mesmo período, aplicar em Portugal 22 milhões de euros num parque de energia das ondas.

Segundo este relatório, entre 2000 e 2014 o país acolheu investimentos acumulados de 147 milhões de euros em vários projetos de investigação e desenvolvimento na área das energias oceânicas e em projetos concretos como o Pelamis, a central de energia das ondas do Pico, a AWS, o Waveroller e o Windfloat.

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