Secretas arrasam com ministro. Agiu “com ligeireza” no caso Tancos

  • ECO
  • 23 Setembro 2017

A gestão de Azeredo Lopes foi de "ligeireza, quase imprudente". Esta é a conclusão de um relatório do serviço de informações militares sobre o caso de Tancos.

O serviço de informações militares critica a atuação do ministro da Defesa no caso do roubo de armamento na base de Tancos. Num relatório, enviado para a Polícia Judiciária e para o Serviço de Informações de Segurança, pode ler-se que Azeredo Lopes agiu “com ligeireza, quase imprudente”, revelando uma “arrogância quase cínica”. O Chefe de Estado-Maior do Exército também é alvo de críticas.

De acordo com o Expresso (acesso pago), o documento de 63 páginas, que terá sido elaborado em julho, apenas um mês depois de ter sido anunciado o assalto, as secretas classificam o incidente de Tancos como algo de “extrema gravidade, devendo ser investigado e definidas todas as consequências”. Sobre a atuação do general Rovisco Duarte, Chefe de Estado-Maior do Exército, o militar é acusado de “não ter tirado consequências dos seus atos“. O general pôs o lugar à disposição, mas o ministro não aceitou a sua demissão.

Ao longo do relatório, ministro e militar são acusados de terem falhado “ao não terem dado aos paióis o tratamento de infraestrutura crítica no âmbito da sua proteção”. O documento revela ainda que o assalto revela “fragilidade de liderança e da capacidade de gestão de crise, quer ao nível militar, quer ao nível político”.

No início desta semana, o ministro da Defesa sustentou que o Governo “fez o que devia ser feito e num tempo muito curto” na sequência do furto no paiol de Tancos e revelou que foram abertos três processos disciplinares no Exército. Numa intervenção no debate de atualidade no plenário da Assembleia da República, Azeredo Lopes não respondeu a perguntas dos deputados para que esclarecesse as suas afirmações numa entrevista na qual disse que “no limite, pode não ter havido furto”, aludindo à ausência de provas.

Armas podem ter ido para jihadistas

Ao todo, são apontados dez cenários sobre a execução do assalto. Mas, neste conjunto, apenas três são considerados como “muito prováveis”. Em dois, supõem-se que terá havido conivência de militares da base com o crime organização. Uma hipótese que foi levantada pelo general Rovisco Duarte.

Outra hipótese é de o assalto estar relacionado com o extremismo islâmico, já que o sul de Portugal é apontado como um dos alvo dos jihadistas. Segundo o documento, a nova estratégia do Daesh passa por aproveitar o caos na Líbia para infiltrar operacionais entre os refugiados e aumentar assim o número de atentados em países como França, Itália e Portugal.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Secretas arrasam com ministro. Agiu “com ligeireza” no caso Tancos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião