“A tentação de reduzir a independência dos bancos centrais não é só portuguesa”, diz Carlos Costa

  • Margarida Peixoto
  • 25 Setembro 2017

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, sublinhou a importância da independência dos bancos centrais para cumprirem o seu papel.

“A tentação de reduzir a independência dos bancos centrais não é só dos países do sul. (…) Não é só uma questão dos portugueses, coloquem dinheiro num lado qualquer e a tentação vai surgir,” disse Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, esta segunda-feira, numa conferência sobre gestão de risco nos bancos centrais.

O governador defendeu que “a independência é fundamental” para os bancos centrais manterem as suas funções fundamentais, que são a estabilidade de preços e do sistema financeiro.

O aviso surge num momento em que o Governo liderado por António Costa prepara uma reformulação do modelo de supervisão financeira em Portugal.

Carlos Costa frisou ainda que um dos maiores riscos que os bancos centrais enfrentam, sobretudo num primeiro momento, é a necessidade de “agir no momento certo”, avançando soluções que nem sempre estão testadas e que envolvem potenciais danos colaterais.

Depois a natureza dos riscos muda. “O paciente sobrevive, mas temos de garantir que os riscos dos medicamentos estão sob controlo,” explicou. E continuou: “Como é que as medidas de política podem evitar riscos colaterais e lidar com riscos significativos para os balanços dos bancos centrais? Alguns destes riscos podem colocar em causa a independência dos bancos centrais. Os bancos centrais precisam de agir, mas agir implica correr riscos para si mesmos”.

"Temos de aceitar que os danos colaterais fazem parte e são um risco que temos de correr.”

Carlos Costa

Governador do Banco de Portugal

Seja como for, argumentou, “a arte do banco central é lidar com os riscos sem perder os seus principais objetivos que são a estabilidade de preços e a estabilidade financeira.” “Temos de aceitar que os danos colaterais fazem parte e são um risco que temos de correr,” reconheceu.

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