Rebelo de Almeida: “Turismo não deve ser o salvador da pátria”

Impostos, alojamento local, TAP e novo aeroporto. Para Jorge Rebelo de Almeida, presidente do Vila Galé, o turismo é importante para Portugal mas "não deve ser o salvador da pátria". No ECO24.

Jorge Rebelo de Almeida, presidente do grupo Vila Galé, em entrevista no ECO24.Paula Nunes/ECO

Jorge Rebelo de Almeida, presidente do grupo hoteleiro Vila Galé, diz que “não há turistas a mais” em Portugal e que, apesar da importância do turismo para o país, não se deve fazer do setor “o salvador da pátria”, até porque, “se for excessivo e dominante”, acaba por ser desinteressante para si próprio.

Impostos, alojamento local, TAP e novo aeroporto de Lisboa foram outros temas abordados na entrevista ao ECO24, o programa de economia do ECO em parceria com a TVI24.

“Turismo não deve ser o salvador da pátria”

O turismo é um setor vital para o país. Vale um quinto nas exportações portuguesas e representa mais de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal. Ainda assim, Jorge Rebelo de Almeida considera que “não se deve fazer do turismo o salvador da pátria”.

Porquê? “Porque se for excessivo e dominante, o turismo acaba por ser desinteressante para si próprio”, explicou Rebelo de Almeida.

O gestor salientou que “o turismo tem sido o motor do desenvolvimento da economia e deu uma boa imagem do país”, sobretudo no período da crise. Referiu ainda que Portugal deve aproveitar o boom no turismo para aumentar a sua notoriedade internacional.

“Estamos a receber mais visitantes do que nunca”, frisou. Não há turistas a mais? “Não devemos cair no disparate de dizer que temos turistas a mais. Temos é de saber distribuí-los pelo país”, frisou.

"Não devemos cair no disparate de dizer que temos turistas a mais. Temos é de saber distribuí-los pelo país.”

Jorge Rebelo de Almeida

Presidente do Vila Galé

“Comparando com Brasil, Portugal é um paraíso na carga fiscal”

A cadeia Vila Galé está presente em Portugal e no Brasil. Jorge Rebelo de Almeida conhece melhor do que ninguém a competitividade fiscal de cada país. “Se fizermos um mapa comparativo com a carga fiscal com o Brasil, isto aqui é uma maravilha, é um paraíso. No Brasil, levamos com uma carga fiscal à séria”, disse.”

“No Brasil, pagamos de imposto direto 65% sobre a faturação de hotéis… costumo fazer o raciocínio rápido e dizer assim: se em Portugal houvesse um imposto desses podíamos fechar o Ministério das Finanças e o único imposto era aquele porque a receita por aí gerada sobre a faturação bruta era de tal forma elevada que daria para não haver mais impostos”, explicou o presidente do Vila Galé.

“Algum setor empresarial vai discordar daquilo que eu digo: se comparar com o Brasil, a carga fiscal em Portugal não é pesada a nível empresarial. A nível pessoal é muito mais pesada. Hoje a carga do IRC sobre as empresas é menor em Portugal do que é no Brasil”, disse na entrevista desta quarta-feira.

"Se fizermos um mapa comparativo com a carga fiscal com o Brasil, isto aqui é uma maravilha, é um paraíso. No Brasil, levamos com uma carga fiscal à séria.”

Jorge Rebelo de Almeida

Presidente do Vila Galé

“Airbnb não me faz confusão nenhuma”

A expansão do alojamento local também não ficou à margem da entrevista. Sendo um concorrente ao negócio hoteleiro, Jorge Rebelo de Almeida aplaude o contributo deste setor em forte crescimento para a economia.

“Temos um problema de criticar boas ideias que surgem. O Airbnb é uma coisa que não me faz confusão nenhuma. Não é hotelaria. É uma modalidade que tem clientes, que cria riqueza para o país, que ajudou a recuperar muitas casas, gerou muito emprego para muita gente quando começou a surgir”, respondeu o dono da cadeia hoteleira Vila Galé.

“Tirará clientes ao Vila Galé, mas não definitivamente”, disse. “Não devemos tratar como clientela de pé descalço porque são turistas que regressam dentro de dez anos”, frisou ainda.

Jorge Rebelo de Almeida, presidente do grupo Vila Galé, com o jornalista Pedro Pinto, da TVI.Paula Nunes/ECO

“TAP nunca teve lógica de ajudar turismo”

Em relação ao papel da TAP, Jorge Rebelo de Almeida declarou que a transportadora aérea portuguesa “nunca teve uma lógica de ajudar o turismo”. “Hoje continua a não ter, mas é um elemento importante para o turismo“, disse.

“Se calhar não tem de ter essa lógica de ajudar o turismo. Tem de fazer o seu negócio e quando cada um faz bem as suas coisas, isso é bom para todos”, disse ainda.

“Lisboa precisa de novo aeroporto”

Quanto ao novo aeroporto de Lisboa, o presidente do Vila Galé diz que é uma inevitabilidade se se quer que o turismo continue a crescer. “Podemos puxar pela imaginação mas sem acessos o turismo não cresce”, referiu Jorge Rebelo de Almeida. “Vemos isso no Porto, com a entrada da Ryanair. Sem transporte aéreo não há crescimento do turismo”, exemplificou.

Portela+1? “O que me agradaria é ter uma solução expansiva como seria possível em Alcochete. Uma solução que nos desse para crescer no futuro”, disse.

"Podemos puxar pela imaginação mas sem acessos o turismo não cresce.”

Jorge Rebelo de Almeida

Presidente do Vila Galé

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