Rajoy sobre referendo: “Fizemos o que tínhamos de fazer”

  • Marta Santos Silva
  • 1 Outubro 2017

O presidente do Governo espanhol disse que o referendo para a independência da Catalunha era "ilegal, improcedente e impossível", após um dia que fez mais de 760 feridos.

Após um dia de confrontos na Catalunha que levaram a que mais de 760 pessoas precisassem de assistência devido a ferimentos, o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, dirigiu-se aos espanhóis rejeitando que o referendo para a independência da região fosse legal, e dizendo que a Guardia Civil espanhola e o seu Governo tinham feito o necessário para proteger a democracia espanhola. Rajoy apelou aos independentistas que “renunciem a dar novos passos que não levam a lado nenhum”.

Um total de 761 pessoas precisaram de ser assistidas pelos Sistemas de Emergência Médica da Catalunha, de acordo com informação divulgada pelo departamento da Saúde catalão, que acrescentou que só em Barcelona houve 335 feridos em confrontos.

O referendo, afirmou Mariano Rajoy, foi “uma burla à própria essência da democracia”, e quanto aos feridos e ao conflito que se viram nas ruas catalãs, responsabilizou com clareza os promotores da campanha independentista. “Quero deixar claro que os responsáveis destes factos, dos que tiveram lugar hoje e dos que nos trouxeram até aqui, são única e exclusivamente os que promoveram a rutura” com a Constituição, acrescentando: “Não procurem mais culpados, não há”.

Na sua intervenção, Rajoy prometeu estar presente amanhã, sábado, junto dos deputados em Madrid, e saudou os líderes europeus que tinham mostrado solidariedade com o Governo central espanhol ao denunciar o referendo.

Agradeceu ainda aos catalães que se abstiveram. “Quero mostrar perante toda a Espanha que a grande maioria do povo catalão não quis participar” no ato eleitoral. “A maioria dos catalães mostraram que são gente de lei”.

“Cumprimos a nossa obrigação. Agimos com a lei e somente com a lei. E demonstrámos que o nosso Estado democrático tem recursos para se defender de um ataque tão sério como o que foi perpetrado hoje com este referendo ilegal“, continuou.

Esquerda quer a cabeça de Rajoy

O líder socialista Pedro Sanchez optou por criticar ambos os lados. Numa conferência de imprensa pouco depois da do presidente do Governo, o líder da oposição apelou a “negociação, negociação, negociação”, e procurou deixar uma mensagem conciliatória: “Não se preocupem, iremos ultrapassar esta situação. Quero enviar aos catalães e a todos os outros espanhóis uma mensagem de segurança”.

Vários políticos espanhóis de esquerda, porém, não foram tão conciliatórios. A presidente da Câmara de Barcelona, Ada Colau, afirmou que o líder do PP “ultrapassou todos os limites”, não tinha mantido as suas responsabilidades, era um “covarde” e deveria por isso demitir-se. A presidente da Câmara referia-se a momentos de grande violência na Catalunha durante o referendo considerado ilegal pelo Estado espanhol, cuja polícia bateu e alvejou com balas de borracha em multidões que tentavam proteger as urnas de voto.

O líder do partido de esquerda Podemos, Pablo Iglesias, também exigiu a saída de Mariano Rajoy numa série de publicações no Twitter.

 

 

“Se alguma coisa quebrar a Espanha, vai ser porque o PP e os que o apoiam no Parlamento continuam a destruir a democracia”, escreveu Pablo Iglesias.

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