Dívida pública supera fasquia psicológica dos 250 mil milhões de euros
A dívida pública já superou os 250 mil milhões de euros. Em agosto, apesar do pagamento antecipado ao FMI, o endividamento da República voltou a subir.
A dívida pública superou em agosto o patamar psicológico dos 250 mil milhões de euros. Está 388 milhões de euros acima deste limiar. Os dados foram publicados esta segunda-feira pelo Banco de Portugal.
A subida de 1,3 mil milhões face ao mês anterior coloca a dívida da República na ótica de Maastricht — a que importa para as regras comunitárias e um indicador acompanhado de perto pelos mercados — pela primeira vez acima do patamar psicológico dos 250 mil milhões.
“Esta variação reflete emissões líquidas de títulos de 2,4 mil milhões de euros e uma diminuição de empréstimos de 1,2 mil milhões de euros, essencialmente por via do reembolso antecipado de empréstimos do Fundo Monetário Internacional (0,8 mil milhões de euros),” explica o banco central, liderado por Carlos Costa.
Dívida pública sobe, líquida de depósitos corrige
Fonte: Banco de Portugal
Já a dívida líquida dos depósitos da administração central corrigiu face a julho: ficou em 228,4 mil milhões de euros, 1,7 mil milhões de euros a menos do que no mês anterior.
Metas cada vez mais difíceis
Com o valor atingido em agosto, a meta da dívida pública está cada vez mais longe. Na segunda notificação deste ano feita ao abrigo do Procedimento por Défice Excessivo (PDE), o Ministério das Finanças comprometeu-se com um valor nominal de 244,1 mil milhões de euros para a dívida pública no final de 2017.
Este número até foi revisto em baixa face ao valor apontado em abril (na primeira notificação) e corresponderá a um rácio de 127,7% do PIB, promete o Governo.
Por enquanto, os dados de junho revelavam um rácio de 132,1% do PIB, bem longe do objetivo.
À espera do “trambolhão” da dívida
Apesar de as metas definidas pelo Governo para a dívida pública estarem cada vez mais longe, o Executivo tem prometido que a partir de outubro o número vai dar um “trambolhão,” conforme disse o secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, em entrevista ao ECO.
O Governo explica que em outubro será preciso pagar uma linha de Obrigações do Tesouro no valor de seis mil milhões de euros. Depois, há a hipótese de se fazer mais um reembolso antecipado ao Fundo Monetário Internacional (FMI), no valor de mil milhões de euros.
Assumindo estes dois efeitos, a dívida recua para cerca de 243 milhões de euros — ou seja, ainda tem margem para se manter dentro da meta definida no PDE. A ajudar ao cumprimento do objetivo está ainda o crescimento económico acima do previsto. No segundo trimestre a economia avançou 3%, o que permite apontar para um crescimento anual do PIB bem acima da meta de 1,8%.
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