Greve geral na Catalunha faz parar o trânsito. Adesão “muito elevada”

  • Lusa
  • 3 Outubro 2017

Circular em Barcelona não será fácil. Filas de automóveis estendem-se por quilómetros e os transportes públicos funcionam com serviços mínimos nas horas de ponta. Em causa está uma greve geral.

Um total de 24 manifestações cortaram esta terça-feira a circulação em várias estradas e autoestradas da Catalunha e provocaram, nalguns casos, filas superiores a dez quilómetros, segundo as autoridades catalãs.

A autoestrada AP-7 está cortada junto a Girona, nos dois sentidos, pois um grupo de pessoas invadiu as faixas de rodagem. As enormes filas de trânsito são consequência das marchas lentas promovidas em dia de greve geral, para protestar contra a ação policial de domingo, durante o referendo.

A greve geral convocada para esta terça-feira na Catalunha por cerca de 40 organizações sindicais, políticas e sociais está a ter uma “adesão muito elevada” em setores como os transportes, o comércio ou a agricultura.

De acordo com a CGT, numerosos piquetes de bairro ou cidade organizados em comités de greve locais estão a mobilizar as pessoas para a greve nas ruas e em áreas industriais.

A estrutura sindical afirma ainda que foram instaladas “barricadas” em diversas áreas de Lleida, forçando o encerramento de empresas.

Uma percentagem muito elevada do pequeno comércio está fechada nas principais populações da Catalunha.

Em Barcelona, os transportes públicos operam com serviços mínimos nos horários de pico (entre as 06:30 e as 09:30 e entre as 17:00 e as 18:00), enquanto no resto do dia a mobilidade não é garantida.

Os portos de Barcelona e Tarragona também estão “praticamente parados” devido à adesão quase total que a greve está a ter por parte dos estivadores, refere o sindicato.

A greve geral convocada para esta terça-feira na região realiza-se em protesto contra a interferência do Estado espanhol no referendo de domingo sobre a independência, com “violência policial desproporcionada”.

A paralisação é uma reação da região à repressão policial usada por Madrid para impedir os catalães de irem às urnas a 1 de outubro, que teve como resultado mais de 800 feridos.

Do grupo impulsionador do protesto fazem parte, além da Assembleia Nacional Catalã (ANC) e do Òmnium Cultural, as duas maiores centrais sindicais da Catalunha – CCOO e UGT -, a Associação Catalã de Universidades Públicas (ACUP), o Conselho Nacional da Juventude da Catalunha, a Federação de Assembleias de Pais e Mães da Catalunha (FAPAC), as Organizações pela Justiça Global e a União de Federações Desportivas da Catalunha.

O sindicato CSIF, o mais representativo da administração pública, indicou que, embora lamente “os acontecimentos violentos” de 01 de outubro, não participará na greve geral desta terça-feira, tendo reiterado a sua posição firme em defesa do Estado de Direito.

Os deputados e senadores dos partidos independentistas ERC e PDeCAT anunciaram que se juntarão à paralisação na Catalunha e não irão às reuniões parlamentares previstas no Congresso e no Senado.

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