Sonangol recusa acusações de discriminação de angolanos por contratar expatriados

  • Lusa
  • 4 Outubro 2017

A administração da petrolífera Sonangol diz que entre os 8.129 colaboradores ao serviço, apenas 20 são expatriados.

A administração da petrolífera Sonangol recusou hoje, em comunicado, acusações de discriminação de quadros angolanos na política de contratações, nomeadamente de portugueses, recordando que entre os 8.129 colaboradores ao serviço, apenas 20 são expatriados.

A posição da petrolífera estatal angolana surge após vários dias de posições críticas, em alguns órgãos de comunicação social e nas redes sociais, à contratação de elementos estrangeiros para a empresa. Na semana passada foram exonerados três administradores executivos angolanos e nomeados outros tantos, dois dos quais portugueses, casos de Emídio Pinheiro, ex-administrador dos bancos BFA e Caixa Geral de Depósitos, e da advogada Susana Brandão.

“Desde que este conselho de administração assumiu funções, em junho de 2016, foram contratados 35 colaboradores, dos quais 26 são nacionais e nove são expatriados, primando assim sempre pelas contratações de novos talentos angolanos sempre que disponíveis no mercado”, explica a petrolífera, criticando a propagação de notícias “desprovidas de qualquer tipo de fundamento e racionalidade”, sobre “uma alegada discriminação de quadros angolanos”.

A petrolífera, liderada desde junho de 2016 por Isabel dos Santos, explica que está em curso um processo de transformação para devolver a Sonangol “à sua condição de referência no mercado energético mundial, criando riqueza para o país e contribuindo assim, de forma decisiva, para o desenvolvimento sustentável dos cidadãos angolanos”, necessitando para tal de quadros experientes em várias áreas.

Acrescenta que os trabalhadores expatriados representam apenas 0,2% da força de trabalho, dos quais três integram o conselho de administração do grupo (entre 11 elementos) e afirma que “os números demonstram de forma inequívoca” que a “maioria dos contratados é nacional”.

“Mas este conselho de administração acredita que a Sonangol deverá, como empresa de referência que é, acolher a multiplicidade e a diversidade da sociedade angolana e integrar nas suas equipas todos os que, objetivamente, lhes acrescentem valor“, aponta ainda.

Entre subsidiárias e participadas, o grupo Sonangol envolve quase 100 empresas, sendo que apenas duas destas se dedicam diretamente ao setor petrolífero, casos da Sonangol Pesquisa & Produção e da Sonangol EP.

“Neste sentido, todos os novos administradores oferecem garantias de reforço das valências específicas que são exigidas, nesta fase, ao conselho de administração da Sonangol. O critério da escolha foi o da sua experiência acumulada, da competência comprovada nas suas áreas de especialização e o do contributo que darão a um conselho de administração que se pretende forte, também pela diversidade dos seus membros – formação, geografias (nacionalidade ou passagem profissional por diversos países), geração e género”, aponta a empresa.

“Refira-se que estas opções não contêm nenhum tipo de discriminação de género, raça ou de nacionalidade. A Sonangol promove competências, não promove discriminação”, reforça a administração, recordando que todos os trabalhadores ligados a temas estratégicos da empresa, “independentemente de serem angolanos ou não”, estão “obrigados ao sigilo profissional”.

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