Rajoy rejeita diálogo sob ameaça. Milhares nas ruas protestam pela “unidade”

O primeiro-ministro espanhol rejeita qualquer negociação com quem "ameaça" a unidade do país. Nas ruas, centenas de milhares manifestam-se contra a independência da Catalunha.

O primeiro-ministro espanhol rejeita qualquer tipo de negociação com a Catalunha, numa altura em que os governantes catalães admitem declarar unilateralmente a independência de Espanha. A posição de Mariano Rajoy vai ao encontro da de milhares de manifestantes que, esta tarde, nas ruas de Barcelona, exigem a “unidade” do país e rejeitam a independência da Catalunha.

Numa longa entrevista ao El País, publicada ao final da noite de sábado, Mariano Rajoy é claro: “Espanha não vai dividir-se”; “a unidade nacional vai manter-se”; “o essencial é a defesa da unidade de Espanha”. Em resumo: “A unidade de Espanha não se negoceia. Não se pode negociar com a ameaça de romper com a unidade de Espanha“.

O primeiro-ministro espanhol reconhece que o “desafio independentista catalão” representa uma das situações mais graves da história da democracia espanhola. Esta semana, o parlamento catação vai reunir-se em sessão plenária para debater uma possível declaração unilateral de independência, ignorando a decisão do Tribunal Constitucional; perante esta ameaça, Rajoy está disposto a recorrer a todos os instrumentos de que dispõe para evitar uma divisão do país.

À população que defende uma Espanha unida, Rajoy deixa uma mensagem de tranquilização: “Têm um Governo que vai defender, como é sua obrigação, a unidade nacional e a soberania nacional. E vai fazê-lo tomando todas as decisões que tenha de tomar, no momento em que for preciso fazê-lo”, diz ao El País.

"Utilizaremos todos os instrumentos que a legislação nos permite. Ouvimos muita gente e creio que sabemos o que pensam os espanhóis. Saibam que o Governo também conhece o que tem de fazer.”

Mariano Rajoy

Primeiro-ministro espanhol

O primeiro-ministro espanhol sublinha que o país “não vai dividir-se e a unidade nacional vai manter-se”, recorrendo, para isso, aos instrumentos necessários. “Utilizaremos todos os instrumentos que a legislação nos permite. Ouvimos muita gente e creio que sabemos o que pensam os espanhóis. Saibam que o Governo também conhece o que tem de fazer”.

Para a próxima semana, está marcada uma sessão plenária do Parlamento catalão, onde poderá ser declarada a independência, mas Rajoy volta a assegurar que isso será impedido. “Posso dizer com absoluta franqueza que isso não vai acontecer“.

"Enquanto a ameaça de uma declaração de independência não desaparecer do panorama político, vai ser muito difícil que o Governo não tome decisões.”

Mariano Rajoy

Primeiro-ministro espanhol

E deixa um aviso à Catalunha: “Enquanto a ameaça de uma declaração de independência não desaparecer do panorama político, vai ser muito difícil que o Governo não tome decisões”. Incluindo, admite, o artigo 155 da Constituição espanhola, que prevê que, se uma comunidade autónoma, como é o caso da Catalunha, não cumprir as obrigações da Constituição ou atuar de forma que “ameace gravemente o interesse geral de Espanha”, o Governo poderá obrigar ao cumprimento forçado dessas obrigações.

“Não descarto absolutamente nada do que diz a lei. Tenho é de fazê-lo a seu tempo. O ideal seria que não tivéssemos de tomar decisões drásticas”, ressalva.

Milhares nas ruas também pedem unidade

Entretanto, este domingo, milhares de manifestantes voltaram às ruas de Barcelona, em defesa de uma Espanha unificada. A plataforma Societat Civil Catalana, que convocou o protesto, estimou que 950 mil pessoas se tenham juntado à manifestação. Já a Guardia Civil aponta para um número significativamente menor, de 350 mil pessoas. Seja como for, a imprensa espanhola dá conta de que esta é uma das maiores manifestações da história da Catalunha.

A manifestação teve início na praça Urquinaona, no centro de Barcelona, sob o lema “Basta! Vamos recuperar o bom senso”. Os manifestantes, entre os quais se contavam políticos do Partido Popular, Cidadãos e Partido Socialista Catalão, seguiram depois para a estação de Francia, onde foi lido um manifesto.

O manifesto da Societat Civil Catalana, lido por Mario Vargas Llosa, exigiu que se acabe com a “marginalização” dos catalães não nacionalistas, assim como com os confrontos, a “confusão” e a “dor” que dizem que a população da Catalunha tem vivido. “Nenhum ator político deve esquecer que os catalães não nacionalistas fazem parte da paisagem e da sociedade catalã. Acabou-se a marginalização, temos direito a ser ouvidos e a ser tidos em conta”, diz o manifesto. O Nobel da Literatura criticou ainda a “paixão nacionalista” e classificou Carles Puigdemont e Oriol Junqueras de “golpistas”.

Também fora de Espanha houve manifestações pela unidade de Espanha. Em Bruxelas, centenas de pessoas reuniram-se na praça do Luxemburgo, em frente ao Parlamento Europeu. Já em Paris, cerca de uma centena de pessoas juntou-se perto da sede do Instituto Cervantes, organismo de divulgação da língua e cultura espanholas no estrangeiro.

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