Madonna não encontra. É assim tão difícil comprar uma casa de milhões em Lisboa?

  • Ana Batalha Oliveira
  • 10 Outubro 2017

A rainha da pop está com dificuldades em encontrar o seu palácio em terras lusas. As agências imobiliárias especializadas em propriedades de luxo explicam ao ECO o que se passa neste mercado.

“Não consigo encontrar casa em Lisboa”: a voz da cantora Madonna fez-se ouvir pela segunda vez através das redes sociais, nas quais partilhou a dificuldade que sente em encontrar um novo lar na capital portuguesa. O ECO foi perguntar às agências: afinal, quais são os obstáculos que um milionário tem que ultrapassar até bater à porta da casa de sonho?

Madonna escolheu Lisboa para viver, mas para já, a rainha da pop está instalada num hotel. A procura que se estendeu por Sintra, pela Lapa e pelo Chiado ainda não parece ter dado frutos. Em meados de setembro, foi a primeira vez que a cantora publicou uma imagem que confirmava que ainda estava na demanda. No início desta semana, partilhou um vídeo de um passeio a cavalo pela praia com a descrição “Não consigo encontrar casa em Lisboa, mas pelo menos consigo encontrar um cavalo”.

 

A JLL, uma imobiliária especializada no segmento de luxo, explica que os novos empreendimentos são vendidos antes de concluída a obra e que o mercado do ultra-luxo — aquele no qual as preferências de Madonna provavelmente se inserem — “está sobreaquecido” pois “a procura excede em muito a oferta” e “há pouca oferta e mal há oferta esgota-se com muita facilidade”. Quando os pedidos são mais únicos e a dimensão fora do normal, as coisas complicam-se. “Acredito que a Madonna esteja à procura de um palacete, mas historicamente nunca houve muitos à venda”, justifica a JLL.

Em termos de preços, as variações são grandes. Por exemplo, na Lapa, uma das localizações que a cantora terá analisado, o preço médio por metro quadrado é de 5,5 mil euros. Mas este valor pode cair para 2.800/3.000 euros se o imóvel em causa tiver de ser alvo de remodelação, ou subir parta 7.000/8.000 euros se o trabalho de reabilitação estiver concluído. Se a escolha de Madonna assentar num palacete há ainda a considerar se o imóvel está ou não classificado e se a utilização que dele é feita já é destinada à habitação.

Existe variada oferta em fase de projeto, mas hoje em dia há dificuldade em encontrar imóveis novos ou reabilitados concluídos.

Castelhana Lisbon Real Estate

A pesar pode também estar o caráter de urgência com que a estrela pop pretende mudar-se. “Existe variada oferta em fase de projeto, mas hoje em dia há dificuldade em encontrar imóveis novos ou reabilitados concluídos” esclarece a Castelhana Lisbon Real Estate. A agência afirma mesmo que não existem à venda quaisquer palacetes que se insiram nesta última categoria.

A imobiliária Private Luxury atesta que “não são muitas as propriedades disponíveis” e “são mais os compradores do que as casas” mas ressalva que muitos são “especuladores e querem casas em saldo”. Desta forma, a agência defende que os próprios agentes imobiliários devem saber “trabalhar o mercado” que é “pequeno, de nicho” e onde apesar das condicionantes “existem bons negócios”. “Não somos Nova Iorque mas para lá caminhamos”, acredita o responsável, Filipe Lourenço. Atualmente, o portfolio da Private Luxury oscila entre sete a dez propriedades de luxo disponíveis para venda.

Os desejos dos clientes

A Private Luxury afirma que o principal fator é a localização. “Quanto mais central, mais difícil se torna”: Chiado, Avenida da Liberdade e Príncipe Real são as zonas mais requisitadas, mapeia JLL. A Avenida pela centralidade, pela luz e vegetação. No Chiado, St.ª Catarina é a rua que conquista maior devoção. O Príncipe Real é sobretudo “pela vida”: “é uma zona muito lisboeta”. Para quem procura não necessita de acessos tão imediatos, o Restelo e o Estoril são as opções mais cobiçadas. A Lapa terá mais palacetes, mas é menos reconhecida pelos clientes estrangeiros. “A procura tem vindo a aumentar e a alargar-se para além do centro de Lisboa, que é habitualmente a área de preferência — já chega a Alcântara, Marvila e até a Tróia e à Comporta”, refere ainda a imobiliária Castelhana.

A JLL destaca ainda duas características que são muito valorizadas pelos clientes que querem comprar em Lisboa. “Tanto portugueses como estrangeiros querem um pedacinho de rua”, pois querem aproveitar a luz e o clima. Depois, a vista: as sete colinas permitem “vistas deslumbrantes, ao contrário da maioria das cidades europeias, que são muito planas”. A Private Luxury acredita ainda que “singularidade, privacidade e conforto” são as qualidades que andam de mãos dadas e que permitem fechar negócio.

(Notícia atualizada com mais informação)

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Madonna não encontra. É assim tão difícil comprar uma casa de milhões em Lisboa?

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião